segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Pudores

Meus poros evaporam.
Porosos. Proveitosos.
Vapores de poros.
Suores. Pudores.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Sonhando

Tudo isso é um "não sei o que" que vai e vem, leva e traz, renova e refaz...
Gente.
Tudo o quanto faço, pernoito no mundo dos sonhos, e vejo alguém que traça...
Me traça.
Conforme eu quis, ou não. Fato é que me come.
E como é bom!
Me come inteira, minhas ideias, meus planos, meu objeto particular...
Menos meu corpo.
Ou mais meu corpo.
Come!
E tem mais fome.
E volta, re-volta. Come um pouco mais de mim.

domingo, 15 de novembro de 2009

Você partiu. Ficou saudade.

Esse foi um domingo triste, talvez o mais triste de todos os meus domingos. O grande maestro saiu de cena. Levou toda a sua música, o teatro está vazio, as luzes apagadas e não há brilho nenhum na sua ausência.
O que mais dói em meu peito é pensar que se eu tivesse tido a chance de dizer "eu amo você" só mais uma vez, talvez tudo pudesse ter sido diferente.
Eu planejava vê-lo em janeiro. Mas que peça foi essa que você nos pregou? Morrer no dia do próprio aniversário, encerrando um ciclo, passando para uma nova vida sem nem nos dar tempo para despedidas...
Meu tio amado, o que ameniza minha dor é saber que eu pude convidá-lo para ser meu padrinho de casamento, que você teve a chance de conhecer Samuel, que você me ensinou a tocar um trechinho de "brasileirinho" no teclado em cinco minutos de aula e eu jamais me esqueci... Que bom que não há lembranças ruins, mas só saudades de coisas boas...
Você é o nosso maior orgulho, nosso mestre. Não só da música, mas mestre naquilo tudo que pudemos aprender com seu exemplo de alegria, simplicidade, pureza e bondade.
Que os anjos lhe recebam com uma linda sinfonia. Receba o abraço de mãe Lorde hoje.
Feliz aniversário, tio Mones.
Descanse em paz!
16/11/2009

Porque não dato as coisas.

As datas pouco importam para mim
Não quero ficar presa a nada
Quando eu morrer as asas vão nascer em mim
E eu só quero voar.
Que minhas palavras fiquem aqui
E que elas possas fazer seu coração sentir
Que onde quer que eu esteja,
Minhas palavras serão suas.
Aceite-as.

A vida não tem fim

Hoje eu acordei te querendo um pouco mais.
Soube que já nem posso te querer assim.
Nosso tempo vai guardando as coisas boas
E vai passando pra mais perto de um final.
Vou gastando os dias com você
E querendo ter mais dias pra viver
Pena que quanto mais se caminha
Mais o tempo acaba logo...
Ainda bem que o tempo não tem fim
Só tem fim o tempo de ficar aqui.
Acaba o tempo de fazer as coisas
Que a gente tem pra fazer e não faz
Mas o tempo de viver a gente vive bem
E a saudade que vai sobreviver um dia
Será tudo e tudo será um nada mais...

domingo, 1 de novembro de 2009

Tio Mones



Tio Mones não sabe dizer alô, ele sempre tem pronto um "eu te amo" logo que atendemos ao telefone. Aprendi ainda criança a respeitar e a ter orgulho por ter um gênio em minha família, um gênio que com sua música autodidata conquistou palcos como o de Clara Nunes e Roberto Carlos, este último, aliás, ficou sendo seu codinome em todas as vezes que o "eu te amo" não bastava para que o identificássemos ao telefone...Ele é um tipo de gente que jamais se preocupou em ajuntar tesouros na terra, por isso, acredito que lá no céu tem um tesouro bem grande esperando por ele, daqueles tesouros incomensuráveis que não dão alegria efêmera, mas garantem a felicidade eterna que só o meu tio Mones merece tanto. Mas para que falar em céu agora? Ele está apenas lutando para viver e é dessa luta que tiramos as nossas esperanças, sabemos que só Deus tem o condão de mudar essa realidade e cremos em Deus, sabemos que Deus faz o que é melhor para cada um, por isso nos conformaremos com o que Deus determinar. A dor que dói na gente é a dor da distância, de não ter tido a chance de dizer uma palavra carinhosa, de dar um abraço caloroso antes que essa doença fosse descoberta. Porque por ele, não... por ele a gente sabe que está tudo bem... Aquele jeito único de ser, aquela simplicidade toda, aquele sorriso sempre pronto e generoso, o amor que transbordava dos seus olhos sempre que estávamos juntos, isso tudo me faz crer que ele está encarando isso tudo numa boa, com a leveza que só os bons possuem...
Tio Mones tem a alma leve, tem o espírito puro, a pureza de um menino doce, humilde e bom, bondade mesmo, não aquela bondade maquiada que a gente faz de conta que tem. Tio Mones é bom! E ele é uma das poucas pessoas realmente boas que eu conheço.
Ultimamente tenho sonhado com um céu tão bonito que durante o sonho me emociono, porque entendo que seja ali o lugar onde Mãe Lorde está vivendo... no último sonho pude sentir Tio Mones, mas foi um sonho meio impreciso, não sei descrever direito, só sei que era um lugar lindo, onde havia Mãe Lorde, o anjo que conheci na terra...
Meu tio querido, perdoe-me agora se emoção faz meu coração doer tanto que já não sabe direito o que está dizendo, só quero que você saiba que você, de fato, vive. Vive na simplicidade de um santo, com o coração transbordando pureza e bondade, você vive aí em São Paulo lutando pra manter acesa essa chama, mas também vive aqui em cada coração!
Sabe de uma coisa, Tio? Você não vai morrer nunca, porque você conquistou muitos corações e saudades.
Desejo-lhe nessa hora muita saúde, uma ótima recuperação e a certeza de uma vida grande, bem vivida, como só você sabe viver, sabendo que é muito amado por nós todos!
Deus lhe proteja.
Com amor,
Cyntia.
01/11/2009

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Lançamento do livro "Desatados, nós"




Autogra-
fando para minha amiga Lúcia.

Escrevendo

Angústia salutar
Me faz levitar
Me faz escrever
Produzir, sentir-me assim especial...

O sofrimento é recurso para minhas mãos
Que choram, sangram e desejam o papel...
Sentem saudades de afagos e beijos
Tanto que já não se lembram mais...

Minhas mãos acostumaram-se a sentir dor
Uma dor tão grande que o peito irradia
E dói gostoso esse aperto de nostalgia
As palavras se expremem, exprimem. Amor.

Restos de tinta sangrando em meu peito

É inevitável que eu escreva
Pois meu coração tem mãos, papel e caneta
É inevitável que a tinta se perca
E que você finja que me já esqueceu.

Se há saudade, há brisa, frescor e lágrimas
Se há verdade, há lembrança, sorriso e vontade.

O papel desbota a tinta do coração
Que meu seio, ventre e útero desenharam no papel
Mas as impressões tão graves que saem de mim
Chegam em algum lugar, onde talvez você ainda esteja.

Se há vontade, há jeito, caminho, obstáculo
Se há esperança, há sonho, reencontro, possibilidade.



Hoje, 15 de outubro de 2009.

Amigos

Amigos são para um dia partirem, e a saudade fazer-se.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Um de cada um!

Esperma. Óvulo. Gametas. Fecundação.
Espírito. Corpo. Células. Fusão.
Alimento. Sangue. Vida. Cordão.
Parto. Nascimento. Lágrimas. Emoção.
Carinho. Ternura. Medos. Depressão.
Crescimento. Sorrisos. Ganidos. Sensação.
Passos. Mãos. Segurança. Proteção.
Risos. Conquistas. Descobertas. Vibração.
Escola. Convívio. Amigos. Atração.
Perigos. Incertezas. Romances. Privação.
Rebeldia. Adolescência. Fases. Condição.
Amor. Sexo. Descobertas. Paixão.
Casamento. Filhos. Família. Libertação.
Cônjuge. Sábados. Fraldas. Prisão.
Angústias. Anseios. Planos. Visão.
Conquistas. Dinheiro. Fartura. Posição.
Saúde. Auge. Poder. Opção.
Maturidade. Valores. Colheita. Frustração.
Recomeço. Silêncio. Anseio. Atenção.
Acertos. Erros. Virtudes. Profissão.
Velhice. Experiência. Sabedoria. Salvação.
Doença. Catarros. Morte. Evolução!

Ao doce menino

Raio de sol traz belas borboletas
Meu coração com asas leves flutua numa emoção sem par
É tão sublime o meu amor
Quanto é leve esse olhar de brisa que me fita.
Fico pensando que já nem posso mais ser feliz,
Já transbordei.
Meu coração encheu e esvaziou, criou asas, voou.
E você continua buscando espaço dentro de mim
Mas não há mais nada,
Enchi.
Você agora sou eu.
Meu coração metamorfoseou,
Virou borboleta e se foi de mim
Já não cabia mais em meu peito e agora ocupa um lugar secreto
Talvez longe, talvez perto,
Mas já não está aqui dentro, meu peito ficou pequeno
Meu amor imenso levou você, e se foi também.
Não sei dizer onde encontrar esse amor,
Só sei que ele vive grande demais pra habitar um corpo,
Real demais para um coração!
Amo-lhe, eternamente.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Palpável sonho

Pego meus sonhos com as mãos, porque eles viram verdade.
O nome disso é fé!

Deus

De fato, não sei o que Deus vê em mim, só sei que Ele me ama muito!

domingo, 20 de setembro de 2009

Infalibilidade materna

Mãe não falha, mãe não erra.
Mãe é quem aponta os caminhos.
Mãe faz a gente ser quem é.

sábado, 19 de setembro de 2009

Atropelos

Sou eu quem sempre erra.
Falho como filha.
Falo como mãe.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Menino-anjo

Seu sorriso, filho meu
Faz meu coração sorrir também
Dilata meu peito
Cresce minha vontade de amar
Sinto o cheiro de seu corpinho miúdo
Que desejo que não cresça e jamais se vá de mim
Sinto vontade de absorvê-lo por meus poros,
Minhas sensações de amar
São tão graves. Ressoam em minh'alma.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Deus comigo aqui

Estarei sozinha sentindo Deus?
Deus é tão palpável, tão real.
Percebe?

Sentidos de mim

Brilha a aura.
Toda a minha calma vem. Frenesi.
E uma emoção dilatada, faz a flor de mim brotar no longe.
Pontiagudas, agudezas de sentir, espinhos da alma
Furam o ouvido como um suspiro que não posso mais ouvir.
Fico surda, dorme em mim uma paz cansada, e já não vejo nada.
Sei que há aqui um lusco-fusco. Carmesim.

Divaga

Eu sangro todo mês. Sou mulher.
Eu amo toda vez. Bem-me-quer.

Menino enigmático

(para meu sobrinho Guilherme em 16/09/2009 – 23:36 hs)


Esse menino tem olhar de poesia,
Ora de chuva, ora de melancolia.
Como se sentindo saudade de um tempo
Parece até querer-me bem.

Tem ares suspeitos e até sugere
Que o tempo não vai, se não vem.
Talvez no embalo de seu robusto corpinho
Eu possa sentir um cheiro de noite
Pairando no ar, querendo o vento.

Esse menino é tão diferente
Tão forte e tão frágil
Não posso saber!

Mas também sei que não sou capaz
Não digo palavras para não lhe acordar
Da canção do menino que chora de noite
Quero o silêncio de seu profundo olhar.

Ah! Belo menino!
Seus olhos têm uma mágica
Um enigma tão singular
Por isso peço: cresça, menino!
Para eu saber de você algo mais.

domingo, 13 de setembro de 2009

O beijo de Deus

Deus me deu um beijo ontem.
Senti seu hálito de brisa.

Cyntia Pinheiro
13/09/09

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Um certo rio, frio.

Tem um amor vazando do meu coração,
derramado, transbordando... um amor já ido, findo, finito.
Tem um amor que é rio, mas já não ama, só se esvai
Um amor que não conseguiu encher o peito, mas rompeu com o mundo,
Rompeu com o meu coração!
Existe um amor que não é mais meu, mas é grande,
intenso e forte, que corre todo emoção, denso e líquido partindo de mim
indo embora em cada decepção!
Havia um amor tão grande, tão grande, que minhas comportas afetivas não suportaram sua força, foram destruídas, levadas embora, e agora tento estancar a todo custo essa emoção!
Havia um coração aqui, agora só tem um vazio!

Inveja

Morreu.
Foi raiva.
De mim não.
De si.

A você!

Você não aceita que eu cresça, mas cresço mesmo assim...
Você pragueja meus projetos, mas Deus os abençoa...
Você deseja o meu fracasso, mas eu já venci há tempos...

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

?????

Não sei quantos erros me bastarão para acertar
Nem sei se errando aprenderei a te amar
Só sei que amo errado mesmo,
Tentando não fazer de minha vida uma solidão equivocada.
Quero muito consertar o que quebrei
Mas não vejo jeito, pois a cola já secou
E eu preciso pegar meu calendário
Pois o tempo passa depressa, e logo vem um gelo.
Que frio sinto longe dos seus pés,
Como é triste caminhar sozinho,
Quero levantar para que a brisa me alcance
E não vejo jeito, sem você aqui comigo.
Preciso lhe encontrar em qualquer lugar
Para saber que estou vivo e que não posso mais
Suportar toda essa dor no coração!

Ao partir

Tenho sede e você ainda nem respirou
Como faço para saber se você será feliz?
Se fica só gastando o gosto de mim
Com seus olhos que lambem sem língua...
Como faço para saber se você terá alguém
Depois do que alguém traçou para nós
Se eu posso seguir meu caminho em paz
Ou se o laço para sempre nos separará?
Tenho sede, respire por favor,
Faça meu coração bater só mais uma vez
Para que eu possa olhar nos seus olhos
Vivendo ainda e dizer sem falar o quanto eu amo você.
Como faço para saber se posso seguir sem você
Pois você vem depois, bem depois, e eu além
Estarei aguardando seu último beijo
Na próxima curva, no próximo pulsar do coração parado
Que mesmo sem vida sabe que há vida no beijo de amor.
Tenho sede, você agora já respirou
Não sei se seguirá sorrindo, ou se chorando de dor
Mas saiba que mesmo não estando mais aqui
Deixarei minha unha crava em suas costas
Deixarei meu filho em um caminho bonito
Esperando seu abraço todos os dias, cada dia mais apertado.
Saiba que te amei com a força de mil leões,
Com os corações de milhões de amores
Respire, amor, saiba que já me vou, mas volto
Seja feliz, por favor!
Saiba que um dia o ciclone que leva, devolve ao ciclo que se fecha
E as pontas de um elo se unem, fazendo juntar outra vez nosso amor.
Sorria se lembrando das nossas felicidades
Sem achar efemeridade na alegria
Vou levá-la para sempre comigo
E em sua lágrima quero ver o cristal do meu olhar
Estarei bem perto, bem dentro, cravada em seu peito.
Não se perca de mim, mas ame outra vez.
Estou aqui e para sempre estarei.

Cyntia Pinheiro
31 de agosto de 2009

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Outro caminho

Ontem comecei uma nova faculdade.
Na época em que frequentei o primeiro curso que fiz, os perfis das turmas iniciais em cursos superiores eram bem diferentes. Na minha época a maioria da turma era formada por pessoas que haviam acabado de sair do segundo grau, uma moçada jovem e cheia de sonhos e pouquíssima maturidade (isso me inclui). Poucos eram os balzaquianos ou cinquentões que por ali se aventuravam.
Os tempos são outros. E agora, que já não estou mais no time dos mais jovens, percebo o quanto o primeiro perfil mudou. Hoje pessoas "com mais idade" ocupam numerosos assentos nas classes das faculdades, especialmente as particulares, buscando algo que não fizeram em tempos atrozes.
Penso que uma pessoa com dezoito anos de idade dificilmente tem maturidade o suficiente para decidir o que pretende ser pelo resto de sua vida, e essa talvez seja uma das razões pela qual muita gente esteja voltando às faculdades para corrigir ou acrescentar algo à sua primeira formação.
Muitos jovens, movidos pelo sonho das possibilidades financeiras, ou até mesmo por determinação dos pais, ingressam em cursos errados, se formam, se frustram e, se tiverem uma nova chance, regressam à faculdade, buscando novas alternativas que talvez lhes tragam mais realização pessoal.
Outro fator que talvez seja relevante é que tendo, num primeiro momento, optado pelo curso errado, não desempenhem seu papel profissional com a competência necessária para manterem-se no mercado de trabalho, e assim, frustrados, buscam um segundo curso superior para a corrigenda das escolhas feitas precocemente.
O fato é que, mais amadurecidos, o segundo curso superior é bem mais aproveitado, e os resultados muito mais satisfatórios. O que ainda não se conseguiu medir foi o aproveitamento dessas pessoas no mercado de trabalho, dadas as exigências, especificamente aquelas feitas com relação à idade dos candidatos.
Eu, balzaquiana que sou, pretendo dar o melhor de mim, e não só passar por mais um curso superior, mas mudar os rumos de minha vida profissional. Desejo o mesmo aos meus colegas contemporâneos.

Cyntia Pinheiro
05/08/2009

terça-feira, 4 de agosto de 2009

De manhã

Acordei cedinho, nem "bença" ganhei,
nem beijo, nem abraço.
Mas ganhei você. Foi bom!

?

Senti um carinho hoje
Te coloquei no colo
Beijei teu rosto
Me amas?

Amo

Amo e não há nada que eu possa fazer sobre isso.
Amo e já não posso conviver comigo
E de amar, amei para sempre
Amei com a alma e o coração.
Amo e amarei. Não tem jeito não!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

O valor da gente

Hoje tive um encontro rico.
Me achei.

Meu lugar

Nessas idas e vindas descobri que meu lugar é aqui, onde mora a paz.

Nunca mais

Saudade já não sinto mais.
O passado já foi, para nunca mais.

Eu, você.

Eu, retrato.
Você, olfato.
Eu, recado.
Você, contato.
Eu, passado.
Você, amado.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Grata sou

Deus, se o Senhor puder me ouvir hoje, por favor, preste atenção!
Quero apenas dizer que sou grata por tudo, por viver, por ter dois anjos lindos sempre comigo.
Sou grata porque posso caminhar, posso ver, posso sentir, posso amar.
Sou grata porque tenho um lar, um veículo, roupas, sapatos, cobertores.
Sou grata porque tenho um coração que funciona bem, tenho saúde, tenho mãos e ouvidos bem bons.
Muito obrigada porque tenho muitos amigos, algum talento e muita disposição.
Muito obrigada, porque eu sinto que mesmo quando o Senhor parece não me ouvir, eu sei que me ouve, ainda que minha prece não seja comovente e a minha pouca emoção faça meu grito parecer só um sussurro aí no céu...
Obrigada Deus! Muito obrigada porque tenho tudo o que necessito para viver, ainda que eu não tenha tudo o que eu gostaria de ter. Entendo que há tempo para tudo e obrigada, mais uma vez, porque o Senhor tem colocado as sementes certas nas minhas mãos e a semeadura já começou.
Obrigada Meu Pai amado, pois sinto que o Senhor não me abandona, mesmo quando eu me afasto.
Obrigada pelo seu amor.
Amém.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Convite

Evento: Lançamento do livro “Desatados, nós”
Escritora: Cyntia Pinheiro
Local: Auditório Marina Lorenzo Fernândez
Horário: 20 horas
Data: 19 de agosto de 2009


Release


O livro “Desatados, nós” possui múltiplos sentidos, cujos nós só serão realmente desatados pelo próprio leitor.
Os nós que se desatam tornam a laçar e a atar os amantes em inúmeros momentos, fazendo com que o leitor seja lido pelo livro, identificando-se; proporciona, também, uma leitura líquida e transparente da própria alma da autora que se revela nas suas mais eloquentes emoções, explorando um “eu” multifacetado, que se expande e, por ser tão grande, vai se identificando com vários “eus”, levando o leitor a uma intimidade com o texto.
A forma despretensiosa da escrita reuniu neste livro poemas de muitos momentos, desde a adolescência até a madureza da idade balzaquiana, levando a uma ausência de estilo enriquecedora, capaz de agradar a diferentes públicos.
Muitos nós se desfazem através de poemas diversificados que vão desde a pureza e a simplicidade de uma paixão pueril, até a revelação da intimidade dos amantes em atos de conjunção carnal tão bem formulados que se consegue visualizar. Inspirada, também, na poesia-piada de Drummond, relata momentos da infância com graça e maestria, revelando saudades, memórias e homenagens.
Há também a constante preocupação com o espírito, que se molda, se refaz e se constrói a cada oportunidade que lhe é dada, especialmente nos momentos de dor e desolação.
“Desatados, nós” é um livro de emoções e sentidos. É para chorar, para sorrir, para sentir e talvez, aprender algo de bom. Mas, principalmente, é um livro para ser lido, simplesmente porque foi para isso que ele nasceu.



Cyntia Pinheiro
A autora.

domingo, 28 de junho de 2009

Lua

A lua redonda é meu fascínio,
Minha mudez, minha desolação.
A lua no céu é meu tormento
É a paixão que desejo tocar.
Não posso ter comigo a lua
Deus não a deu só a mim
É de tantos outros apaixonados
Que com ciúmes resolvi não mais a observar.
Mas ela insiste em invadir meus sonhos,
minha vida e em banhar-me de luz.
Ah, lua bonita! Se um dia eu puder lhe tocar
Vingar-me-ei dessa desolação
De querer-lhe só para mim
Trarei-a para um abraço só meu,
Será que lhe cabe sob meu edredom?

Ao meu anjo particular

Depois que o dia enegrece
As estrelas se mostram perenes
É Deus quem diz: Brilhem!
E elas brilham com luz divinal.
Se pudessem, as estrelas não brilhariam,
Mas cantariam canções de ninar
Seria uma belíssima sinfonia noturna
Anjos no céu cantando e as estrelas embalando
Nossos sonhos mais ternos.
Se assim se desse algum dia
Deus certamente diria: Brilhem!
E brilhariam perenes, obedientes.
Só Ele sabe a razão de a música do céu
Não se fazer ouvir na terra,
Mas tenho as minhas suspeitas...
Acho que se a música das estrelas
Pudéssemos ouvir,
Os anjos que aqui adormecem despertariam
E seria uma sinfonia de choros,
Todos querendo voltar!

Prece de gratidão

Obrigada, Deus!
Obrigada por me ouvir mesmo quando minha prece não se enche de emoção.
Obrigada por conhecer minhas fraquezas e por saber de minha franqueza na oração.
Obrigada, Pai, porque mesmo quando minha fé vacila, o Senhor me acolhe e sabe exatamente do que necessito.
Obrigada pelo colo que o Senhor me dá, pela cumplicidade e pelos muitos abraços que diariamente me endereça.
Obrigada pelo aconchego e pela paz que encontro em meu lar.
Obrigada pela eficiência em me atender, pela benevolência, pela tolerância e pelo carinho que o Senhor tem comigo, me ajudando a ver que eu preciso fazer o mesmo pelos outros.
Obrigada por cada prova, que fortalece o meu espírito; por cada dor, que me faz regressar; por cada tristeza, que me faz sentir amada pelos anjos que o Senhor me deu de presente.
Obrigada, Pai, pelo presente que é viver, pela oportunidade de estar aqui e, principalmente, por me mostrar o caminho.
Senhor, obrigada por me amar!

Assim seja.

Noite de insônia

Eu queria adormecer, mas não posso!
As palavras querem as minhas mãos,
Meu coração quer o sossego,
E eu quero a noite silenciosa.

Aos meus anjos

Hoje a felicidade brindou comigo
E pude beber do seu cálice de êxtase
Hoje senti que essa emoção jamais me abandonará
Senti que sou responsável por minhas escolhas
E escolhi ter com ela um novo caso.
Optando pela felicidade meu caminho clareou,
As portas se escancararam,
Chegou a minha vez!
Sou grata a Deus que hoje me fez enxergar
e saber que Ele está comigo e adiante hei de seguir!
Sou feliz, isso ninguém me pode tirar, ainda que me tirem tudo.
O primeiro dia mais feliz da minha vida foi quando um anjo me desposou!
O segundo, foi quando meu ventre deu à luz um anjo.
E o terceiro é hoje, dia de saber que tem um anjo comigo trazendo as certezas
que outrora eu não tinha, iluminando o meu caminho para que eu não tropece,
segurando minhas mãos para que eu não me perca!
Hoje um anjo me falou ao pé do ouvido e disse para eu ser feliz!!!!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Perder ou ganhar

Minhas mãos querem tanto o teu rosto, quanto as mãos do cego querem enxergar,
Meu coração deseja tanto os teus olhos, que de tanta dor já deseja parar,
Meu ventre quer tanto o teu corpo, que os meus poros te querem sugar,
Minhas pernas desejam tanto as tuas, que meu balé só aprendeu a laçar,
Meu sonho quer tanto o teu sono, que já não sei onde te procurar
Meu amor quer tanto teu soluço, que de te amar já não sabe perdoar
Minhas vidas desejam tantos reencontros, que já não sei te perder ou ganhar.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Do que preciso

Só preciso de um tempo, remendado, pra saber que nem remendo conserta o que já foi.
Só preciso de um silêncio, gritado, pra saber que nem um grito desperta em mim o que morreu.
Só preciso de um abraço, afastado, pra saber que não se afasta o que já foi se não se foi do pensamento.
Só preciso de você, ignorado, pra saber que não se ignora o que ainda pulsa em meu querer.
Só preciso de uma chance, desperdiçada, pra saber que o desperdício é perdição de não lhe ter.
Só preciso de você, embriagado, pra saber que a embriaguez não se refaz como um passado que não volta outra vez.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Despedida

Esse teu amor me é saudoso,
Brilha tanto que já não o vejo,
Grita tanto que já não o ouço,
Pulsa tanto que já morreu.

Esse teu amor cortou-me a carne
Tão rejeitado foi-se com meu pranto
De um coração outrora abandonado
Foi-se levando-me e foi-se ficando.

E o meu coração é túmulo encerrado
Com teu pedaço ainda vivendo
No respiro de desesperado querer
Que de não querer, vai se perdendo!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

O balé de Tereza

O balé de Tereza sempre foi opção de sossego para nossos pais. Lá os mais capetinhas se esticavam em passos tortos e imprecisos, tirando dança de onde não havia talento, pelo menos não na maioria.
Poucas pessoas sobressaíam, o palco era todo Vanilza, Cléia, Aline, Gislane, Milena... Somente elas, BAILARINAS! Nós outros não, apenas meninos-capeta que precisavam gastar energia.
E a guerreira Tereza, com voz de trovão, domava todos os diabinhos que por ali surgiam, com propriedade e força, carinho e determinação.
Até acertávamos o passo, o desengonçado passo decorado, seguindo a contagem de um a oito. E Tereza com maestria ensinava, criava, gritava conosco, voz inequívoca, inesquecível disciplinadora e mestra.
Hoje o balé de Tereza tem pernas bambas, depois da doença degenerativa que leva-lhe embora os comandos. Hoje seus pés são trôpegos e trêmulas as mãos. Mas nós, somos meninos melhores, que pisamos firme, pés de retidão, porque a voz de trovão soa forte até hoje, disciplinadora, respeitável e saudosa de Tereza. Não sai nunca do coração!

Cyntia Pinheiro

domingo, 10 de maio de 2009

Frases em uma noite de insônia

Dormir nem sempre é preciso, mas é sempre necessário!

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Nem só de sexo vive a poesia, ela também vive da insônia.

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Esse silêncio é a mágica da noite que o meu dia não tem.

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Fui feita para a noite, que pena que o dia também!

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Hoje Deus esteve comigo, palpável! Obrigada.

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Hoje eu invejei seu ronco!

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Se até as ideias me abandonarem, protestarei com Deus a minha falta de sono.




Cyntia Pinheiro, um dia de abril/2009

Lembrança com sabor de romã

- Sobe no pé de romã menina, tira romã que é pra avó fazer gargarejo.
- E a prima porque não sobe?
- Ela sobe e cai.
- E eu, não caio não?

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Requiem

Hoje deceparam-me as mãos
E toda a poesia contida nelas
Hoje necrosaram-se-me os pés
Que outrora eram trôpegos
E que agora já não suportam mais o peso deste corpo fatigado.
Hoje moeram todo o meu coração
Quando roubaram de mim um sonho.
Hoje sepultaram-me ainda vivendo
Com meu peito arfante buscando um último respiro de esperança.
Hoje, e somente hoje, eu morri!

30(1)/03/09

domingo, 29 de março de 2009

Dor de nós dois

Era para ser em mim,
Mas eu não sentiria tanta dor como sinto sendo tua essa dor.
Teu choro, tua anêmica risada, tua pouca ação, são meus maiores tormentos.
Era para ser em mim,
Mas só sendo tua a dor, ela me faz latejar todo o corpo.
Se minha fosse, não doeria tanto.
Sendo tua, é meu todo o pranto.

Estados afetivos

Eu já tive afetos líquidos que não se solidificaram. Gasosos pares!

Minha dor

Eu tenho uma dor só minha
Que de sozinha fez-se solidão!
Eu tenho uma dor inominável
Que não há carinho que a leve de mim!
Eu tenho uma dor tão minha
Que não me deixa, nem deixará, até o fim!

Outra saudade

Uma melancolia vem
Meio angústia, meio dor
Uma melancolia tem
A saudade do meu amor.

Meu silêncio

Meu silêncio vai e vem,
Faz-se desfazendo-me
Meu silêncio íntimo
É grito popular.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Longe de você neste momento

"Tudo o que eu posso agora é fazer-me presente, mesmo ausente.
Mas tudo aquilo que compete a mim fazer, farei, irremediavelmente."

Em sintonia,
Em prece,
Em espírito.

Para minha mãe

"Quando a dúvida bater em sua porta, abra, pode ser a esperança chamando."
Cyntia Pinheiro

domingo, 15 de março de 2009

Pensamento do dia

"Sou mãe, mas não desisto de ser filha."

Cyntia Pinheiro, 15 de março de 2009.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Meu presente de aniversário!

Todos os anos as pessoas me perguntam: “O que você quer ganhar no seu aniversário?” E eu sempre respondo com humildade: “Imagina, não me importo com presentes, qualquer coisa me alegra!” E sempre ganhei presentes ótimos mesmo assim. Mas esse ano será diferente. Esse ano eu vou fazer pedidos e serei exigente. Quero ganhar coisas que me faltem ou que me sejam importantes.
Tem uma coisa que eu quero ganhar que eu não queria querer, mas quero porque preciso dela. Dinheiro! E os depósitos podem ser feitos na minha conta no Banco do Brasil, interessados em doar, me falem, eu repasso os números de minha felicidade! Rs...
Eu não queria querer dinheiro, mas necessito de querer dinheiro porque dinheiro não superabunda em minha vida. Por falar em “superabunda”, me lembrei que tem gente que se limpa com dinheiro após uma barrigada, enquanto muita gente não se limpa simplesmente porque não tem dinheiro para o papel higiênico. Eu tenho dinheiro para o papel higiênico, mas meu papel higiênico não é cor-de-rosa nem perfumado, acho que me encontro num meio-termo.
Mesmo assim quero dinheiro, para realizar coisas, como por exemplo, a publicação do meu livro, para trocar de óculos, pois os meus estão em estado deplorável e também para algumas futilidades bem femininas. Portanto, o primeiro presente que estou pedindo é dinheiro, qualquer tanto de dinheiro, não porque me falta, mas porque não me sobra!
Pensei em outras coisas para ganhar “de aniversário”, nada muito caro, mas tem coisas valiosas demais para eu me dar ao luxo de deixar de ganhar. Quero continuar ganhando os mimos feitos pelas mãos talentosas da minha amiga Flávia, quero ganhar muitos e muitos beijos com boca melada de chocolate do meu filho lindo e quero continuar ganhando as flores precisas no dia 08 de março pelas mãos românticas do meu marido que sempre antecedem o grande dia 13 dando um “up”, incrementando a “minha” semana!
Quero ganhar os bordados infalíveis das mãos de anjo da octogenária Nesta. Quero ganhar os livros que eu puder amealhar dos meus amigos escritores e todos os CD’s profissionais ou não dos alunos que passarem pelas minhas modestas mãos.
Quero continuar ganhando os ótimos presentes dos meus pais, mas mais do que os presentes, quero as presenças deles ao meu lado na hora mágica de soprar as velinhas do bolo improvisado que costumo fazer. Quero continuar ganhando os presentes cheirosos, os coloridos, os mais singelos do mundo, os brinquinhos de R$1,99 e os anéis “brilhosos” que combinam com aquele brinco antigo. Quero telemensagens inconvenientes o dia inteiro ligando para mim. Quero telegramas distantes, quero cartões de amigos longínquos, quero e-mails, scraps, mensagens no celular. Quero um dia agitado, barulhento, cheio de abraços, milhões de abraços, os abraços do mundo inteiro dados pessoalmente, e não apenas ditos. Porque abraços me movem, me comovem, me tocam, me fazem transcender e me sentir a pessoa mais importante do mundo, ainda que só por um dia!
Quanto ao dinheiro, ah!, esquece o dinheiro...

domingo, 1 de março de 2009

VAMOS BRINCAR?????? COMPLETE O POEMA...

Nada me vem tão claro
Quanto teus olhos embrigados
Nada me vem tão raro
Quanto teu gosto em meu assoalho.

Nada me é tão exato
Quanto teu cheiro sempre barato
Nada me é tão inato
Quanto teus pés em meu sapato.

Nada tão abstrato
Quanto o desejo de ti em meu prato
Nada tão inexato
Quanto tua pele em

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

A dor do poeta

A dor do poeta é a dor do não saber-se.
Será que todo poeta sofre assim?
Será que essa dor vai um dia embora de mim?

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Ao amor

Em seu lugar
Não sei como seria
Talvez fosse mais fácil
Talvez não!

Em seu lugar
Tudo diferente, menos cruel
Menos sofrível
Eu, menor!

Sendo você tão grande
Grande é a dor
Grande o desamor
E a dificuldade em se superar!

Se eu pudesse estar em seu lugar
Levaria o dedo à boca e faria shhhhh...
Ao coração!
Aquieta-te coração ferido!
A vida é muito melhor!

Em seu lugar
Talvez parte de mim soubesse
Que não há solidão
Nem problemas
Apenas indisposição
Ao amor!

Na escola

Todo ele espontâneo
Todo contente
Radiante!

Todo assim esperto
Sabe como é bom
E faz disso
Seu momento!

Assim é Samuel
Em sua estréia escolar
Fazendo festa no melhor da festa
Sobressaindo, sorrindo!

E no fim do dia
Nem o tenho mais
Pois o cansaço o tem
Maior que o mundo!

Dorme amor meu,
Adormece nos meus braços
Saberei que um anjo é que sonha
E serei mais feliz!

fevereiro/09

Outra noite

Em outra noite
Eu endossaria teus açoites
Com minha dança furtiva
Que furtaria de teus sonhos.

Em outra noite
Talvez eu mais inteira
Saberia dizer as besteiras
Que te provocam o tesão.

Em outra noite
Talvez houvesse libido
Talvez porque fosse proibido
Agora, já não te quero não.

Línguas

Línguas que falam
Línguas que calam
E roçam, se enroscam
Idioma palatal
Teu paladar e eu
Teu gosto no meu
Sensações!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Coração sangrando

Meu coração é barco naufragado
Onde paradoxais enigmas me levam a lugar nenhum
Neste oceano que me sangra no peito
Há aflição e amor, como um dueto dissonante.
Sou menos que posso.
E mais que outros menos.
E o sangue corre e escorre, tem pressa em afogar seus náufragos e acalmar-se como faz o mar depois do temporal.

Desejo de paz

Todo silêncio é pouco quando se deseja a paz
Todo ruído é rouco a ensurdecer quem faz
Não faça de mim refém de teus protestos loucos,
Não me faça sentir na pele a insensatez aos poucos.
Não me condene ao gelo de teus apelos tolos.
Eu só desejo paz!

Frio

Frio é o ósculo
Após o óbito
Fria é a carne
Após o desencarne
Frio é o tempo
Em todo o tormento
Frio é o fim
Após partires de mim.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Com ajuda de Lucas...

Guardo em meu peito pequenos tormentos, que grandes alentos carecem ganhar...
Guardo em meu peito imensos carinhos, que poucos amigos podem requisitar....
Guardo comigo sentimentos inteiros, e controversos anseios de perdoar e amar...
E, se um dia eu puder explicitar, gritarei para o mundo que não há mais dor, apenas amor sem receio de amar!

Amor

Candelabros de sóis
Reluz teus faróis
E tua boca miúda
Que minha boca carnuda
Anseia beijar!

Lábios de nós
Desatam meus atos
De amarras sem fim
Me queimam em beijos
Inteiros em mim!

Olhos sem par
Queimam meu corpo
Com quentes faíscas
Me fisgam em iscas
A dilacerar!

Negra cor.

Teus negros cabelos são seda entre meus dedos
Teus negros olhos são olhos de corpo inteiro
Teus negros pêlos são convite ao meu desejo
Teus negros sonhos, são impudicos e negros.

Um fogo, um jogo

Olhos que traduzem secretos enigmas
Arrancam dos lábios toda a minha saliva
Seduzem, agridem, machucam. Recidiva.
Um par de surpresas tua boca, minha barriga
Paixão sem temores, toda ela colorida
Mexendo, descobrindo, reabrindo feridas
Me fazem mulher, teus olhos, minha brisa
E o corpo se consome como fogo, lascívia.

As mãos me são...

Mãos são infinitas
Como infinito é o céu
Mãos são açúcar
Como açúcar é o mel
Mãos são desejo
Como o desejo é fel
Mãos são as marcas
Como ter marcas é cruel
Mãos são segredos
Como segredos são para quem é fiel.

Delícias

Trechos de corpo
Traduzem aos poucos
O que descubro do todo
Delícias de ti!

Fantasmas

Apoderam-se das energias
Vibram pelas imensas orbes
Levando meu brilho
Gerado a dois.

Fraquejo e movimento-me
Fracassam-"me", se podem isso.
E fluem por meus melhores fluidos,
Fluidos de meu amor.

Invadem meus sonhos
Invadem meu corpo
E meus mais íntimos momentos
Desregrando o que se estabeleceu.

Mas se posso receber ajuda
Tenhos fortes fontes de amor
Que jorram por mim em preces tão ricas
Que me restauram as forças
Sempre que tentam derrubar-me
Deus está sempre comigo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Rica infância

Oito da noite. A meninada sai louca abandonando suas casas.
Reunião de menino é coisa séria. Tem hora marcada e todo mundo respeita.
Hora de brincar de onça, esconder, caiu no poço, amarelinha, queimada, vôlei, e o que mais inventarem.
Dez horas a mãe chama. E os pés encardidos de tanto correr já não sabem mais se são pretos ou brancos.
E os meninos vão, reclamando com as mães.
Ora, crescidinhos, passam para os próximos meninos a propriedade da rua, brinquem meninos, com juízo. Porque daqui a pouco inventarão o vídeo-game.

O cinema de papel

Poucos meninos eram assim tão capciosos. Poucos tão criativos. Não gostava de brincar na rua. Preferia os livros de mágica e de cinema.
Fez com meu dinheiro seu próprio cineminha e até ganhou dinheiro cobrando ingresso dos outros meninos “mais bestinhas”.
Encarnando Godzilla em papel cartão por trás da tela de papel de seda, iluminado por uma lamparina de querosene, fez mágica, para nós meninos menos capazes.
Nunca nos esqueceremos de Dêla, um menino moço, que morreu tão moço depois de nos alegrar tanto.

Chegou a filmadora

Chegou a tecnologia, a família se reúne, corre todo mundo para a casa do avô.
Vamos menina, veste logo essa roupa, modelito novo, cheio de números, para aparecer bonita na televisão.
“Altia, seu moço! Altia o volume, senão ninguém escuta”.
Monta o carneiro, segue os patinhos, segura esse menino, ninguém pode com ele. Liga o som, filma o arrasta pé.
O churrasco correu solto e nós também,mas não pode dar tchau para a câmera, fica brega.
Só hoje a gente se deu conta do quanto aquilo tudo foi brega, mas foi bom!

No quarto de costura

No quarto de costura tem uma maçã que é puro talco
O cheiro não saiu da memória.
No quarto de costura a gente aprende a bordar
A falar de amor, e a viver o amor.
No quarto de costura a gente dorme quando a mãe e o pai viajam. E a madrugada é povoada de sons, culpa do vento que imperioso sacode as mangueiras e os abacateiros. Tantas frutas caem.
No quarto de costura a gente escuta seu riso roncado e tem a certeza de que é amado.
Também é no quarto de costura que a vitamina de abacate some em segundos e a gente devora os biscoitos com formato de gente.
Foi no quarto de costura que eu guardei minhas melhores lembranças da infância e foi lá também que percebi que eu tinha um anjo, chamado Mãe Lorde.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009




Família é tudo!!! Amo meus eternos amores!!!!!!!

O velho e os meninos

Brincavam os meninos
Com seus sovacos peidorreiros
Meio-dia, sábado, sol a pino.
Lá vem o “véio”, e a “veia” vem logo atrás
Carregando sozinha toda a feira.
Riem dos meninos
E seguem seu destino.
Lá na frente o “véio” se apeia,
Faz pose e grita: “Segura essa os mininu”
E peida, um peido alto e verdadeiro.

Jaqueira

Embaixo de imperiosa jaqueira, um botequim,
um armazém e uma boate. Point da cidade.
De vários pontos olhares curiosos tentavam ver a “véia” recém-chegada do Pernambuco, a abraçar a filha de longa data separadas.
Ao fim do abraço, ao primeiro passo de afastamento, uma jaca desalmada, tentando contra a existência cai entre as duas.
Mãe e filha estupefatas.
A jaca por pouco não matou a “véia”.
Os mecânicos da oficina em frente, mataram a jaca.

Herança

Partiu a velha senhora,
Não tão velha, mas endinheirada
Furou a fila da morte
Tinha gente mais degradada.

Partiu a velha senhora,
Sem hora é toda morte
Furou a fila da sorte
No banco mais de um milhão.

Partiu a velha senhora,
E os urubus já pousaram
Furam a fila no banco
Dizendo-se seus emissários.

É, partiu a velha senhora
Nem houve tempo para saudades
Furou-se a regra da fé
Furaram seus olhos fechados.

Rex

Negro, pequeno e excessivamente peludo.
De nome Rex. Inofensivo talvez.
Cachorro rebelado é pior que cachorro bravo.
Assim se fez nossa separação.
Depois desse dia, nunca mais quis um cachorro.

Japão

Debaixo do pé de Jambo cavávamos até o Japão. Depois de um palmo, desenterramos um tesouro, não sei quem o escondeu lá. Mas eram moedas, muitas. Que já não valiam mais. Matutamos naquele disparate, quem doido assim enterraria dinheiro? Passado que não nos pertencia. Impossível decifrar.
Outro dia, cavaremos outro buraco.

Cozinhadinha

Fogão improvisado, panelas cheias de sabão embaixo.
Hora de cozinhar. O pequizeiro é nosso companheiro generoso e nos presenteia sempre que dá.
Nunca vi pequis tão grandes.
Nem tanta fumaça assim. A melhor comida do mundo era feita ali, no quintal do número 101 da minha rua.
Até minha mãe foi experimentar.
Chato era lavar tudo aquilo, fim do dia, fim da brincadeira, fim de toda a graça.
Sempre tinha alguém pra reclamar da qualidade da lavada da panela.
Mas era assim que passávamos nossas férias.
A inocência tão bonita de outros tempos nos levou ao altar, hoje imitamos a brincadeira.

O nome da gente

O nome da gente é coisa insatisfatória.
Por que tem gente pior que o nome que tem?
Por que tem gente com nome tão ruim que não lhe convém?
Essa coisa de nome é peremptória.

Mas bem que poderia ser opção,
Seria bom se todo mundo se chamasse menino,
ou menina até ter idade de escolher seu destino.
Pois é assim que a gente é chamado até ter profissão.

Difuntinas, Escolásticas e Bucetildes
Todas agradeceriam se uma vez na vida
Pudessem optar por nomes condizentes com a lida
Oriunda, Reduzina e Ampliada, todas humildes.

Temporal

Corta o ar a gota frenética a inundar o solo,
Não uma gota ímpar
Incontáveis e determinadas gotas
Desejam enxarcar o mundo
Violentando a terra
Vingando-se imperiosas.
Caiu chuva?
Não. Dilúvio.
E matou gente.
Traiu quem a negava
Humilhou quem a repudiava
E trouxe calamidade a milhões.
Vingança de Deus?
É Deus bradando no céu como tenebroso trovão?
Não.
É vingança mesmo do tempo
É auto-vingaça do homem
Que tem mãos de destruição!
Nenhuma gota ficou no céu.
Nenhum grão no chão.
Nem pétalas, nem casas.
É o flagelo do homem
Abrindo o ano com gotas grossas furando-lhe a retina.
E emudecendo muitos corações.
Mas não enxerga. É burro.
Estupidez! Só vê quando a chuva já foi
Que tem solidariedade e recomeço.
Ignora o recado de Deus:
Não destrua o planeta!


em 02/01/2009

Tentam

Travou-se trama tremenda
Tremendo, temendo tramar
Trambiques, tratados, trouxas
Tratando, tentando trapacear.

Trabalham tramando trapaças
Travessos trambiqueiros trafegam
Trazendo tantas tentações
Tentam te trapacear.

Tem tanta tinta terra
Tantos tropeiros trepam
Tantos tormentos torpes
Tremulam tarados tapados.

Tem trem tentando trazer
Tropeiros tentados tangidos
Tal tempo total toparia
Todavia talvez te tapear.

Corações partidos

Partem os pais
Partem-se os corações
O céu chora lágrimas de chuva
E Deus engrossa o coro dos anjos
Com voz de trovão.
O dia é música fúnebre
Choram os olhos
Chora o coração.

Partem os pais
Levam a sua razão
Sem olhar se a razão do outro tem alguma razão
Ficam órfãos os filhos, de pais que vivem
E não sabem o que fazer.
Perdidos os pais,
Partidos os filhos.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Lagartas

Lagartas no pé de laranja, fedem.
Motivo para traquinagens.
Pega o baygon, uma seringa, injeta veneno nelas.
Contorcem-se as lagartas. Riem-se os meninos.
Os pais inocentes, nunca imaginaram tamanha arte.

Inveja

Canudinho faz bolinha de sabão
Canudão faz bolão.
A inveja faz cosquinha,
Irresistível tentação.
Chora, dá birra, calundu,
Toma posse do canudão.
Faz bolão.
E chupa, chupa o canudão,
divertido é,
até beber sabão!

O cocô

Meninos brincam na rua à noite. Uma idéia.
Alguém traz um cocô recém-fabricado.
Injetam-lhe uma bomba junina.
Arma preparada.
Um acende o pavio.
Todos se protegem.
Bomba de cocô, muitas casas respingadas.

Açúcar

Geléia, suspiro e bala doce, no boteco de Anterão.
Biscoito de queijo, açúcar, paçoquinha na venda de seu Cindo e põe na conta.
Guloseimas, suspiro e pipoca doce, só na venda de seu Quinca.
Assim, os filhos crescem açúcar.

Flor

Flores encantadas, rosas desabrochadas.
Todo tipo de flores. Encantamento.
Perturbação.
Perturbarão o vizinho,
para pedir ou para furtar, ao fim da aula.
Toda mãe merece flor roubada.

Na casa velha

Escravas de muitos algozes,
vorazes, implacáveis. Familiares contumazes.
Escravas perenes, pilando, no pilão.
Sorriso furtivo, olhar submisso, e no pilão, pilam.
Milho, café, o que tiver, como numa cadência uma desce a outra sobe, ao pilão. Sob o céu, de imperdoável verão.

Poda de parreira

Poda de parreira. Menino sobe, menina desce. Descem e sobem e podam. Corta daqui, tem mais folha ali. E num piscar de olhos, entardece.
E flertam, sem saberem-se flertados.
Borboletas, lagartas, bichos de todo tipo, perambulam, pululam ao ar úmido das Taiobeiras.
E o menino poda a parreira. Agora menos folhas no alto, menos chão no chão.
E a menina tesoura em punho, poda a parreira. Grande parreira, festa no ar. No alto da parreira.
E as uvas virão roxas e doces, na próxima estação.
E a menina nem gosta das uvas que dão no pé.