quinta-feira, 28 de junho de 2012

Campeonato no céu


Cyntia Pinheiro
Para os meus filhotes
28/06/2012


Um dia lá no céu
Deus teve uma ideia legal
Fazer um campeonato
Para o mundo animal

Dessa vez só as aves
Poderiam participar
Em várias categorias
Desde as do solo até as do ar

Somente machos de inscreveriam
Pássaros canoros ou elegantes
Cada qual mostrando sua arte
Ou algum talento bem importante

Para a festa veio o peru
Concorrendo com o galo e o pavão
Com sua gravata bem vermelhinha
E sua cara de bonachão

A galinha já comentava
O galo será o campeão
O peru é muito empolado
E é exagerado esse tal de pavão.

Na ala dos cantores
O chilrear do curió
Fez o canarinho pensar
Que o sabiá lhe dava dó

Mas a torcida feminina
Era coisa muito séria
Dona canária bem dedicada
Estava quase ficando histérica

Mas não seria moleza
O júri estava afiado
Querubins alados notavam
Cada detalhe preparado

Depois do desfile das aves do chão
Houve uma grande revoada
A ave que voasse mais bela
Haveria de ser premiada

Do albatroz à gaivota
Asas bem grandes no céu batendo
Da jacutinga tenho saudade
Voos bem leves por sobre o vento

Cada categoria passava agora
Por uma grande seleção
Aves do céu e aves do solo
Não estavam brincando não

Arara, tucano e beija-flor
Na categoria dos mais belos
Águias, gaviões e corujas
As de rapina travavam um duelo.

Do primeiro grupo foi eleito o pavão
Para desconforto da galinha
Pois o galo era o favorito dela
E o peru nem chance tinha

Quanto aos cantores canarinho, sabiá e curió
Difícil mesmo foi escolher
Mas pelos melismas muito bem feitos
Canarinho teve mesmo que vencer

Na categoria de voo bonito
Levou a melhor a Jacutinga
Albatroz e Gaivota gritaram: “Marmelada!
Só ganhou porque está quase extinta.”

Apesar das cores vivas
Arara e Tucano foram desclassificados
Pois a sutileza do beija-flor
Deixou a todos encantados.

Águias, gaviões e corujas
Desistiram da competição
Pensaram que não tinham chance
Com as outras aves não

Além do mais uma nova etapa
Muito mais exigente,
Reunirá os classificados
E escolherá novamente

Dentre os selecionados
Pavão, Canarinho, Jacutinga e Beija-flor
Será escolhido aquele
Que melhor simbolize o amor

O Pavão foi logo dizendo
Com sua cara de espantado
Melhor símbolo sou eu
Que de tão lindo pareço encantado.

O Canarinho nada modesto
Cantarolou seu argumento
“O amor tem minha cara
E nem preciso de instrumento”

A Jacutinga por sua vez
Até que argumentou bem:
“Estou quase extinta
Feito o amor que já não se tem”

Mas lindo mesmo foi o Beija-Flor
Que disse bem humorado:
“Símbolo do amor sou eu,
Pois Deus já me fez coração alado.”

E todos nesse dia souberam
Que o beija-flor é todo coração
Melhor símbolo não haveria
Para ao amor fazer menção.

E Deus, sábio que é
Tratou logo de dizer:
Não ganhou por ser mais belo
Mas ganhou por merecer

Não adianta ser imponente
Nem ter asas grandes para voar
Basta ser todo amor
Com um coração pronto para amar.

Nessa grande competição
Quem mais se deu bem
Foi o beija-flor pequenino
Símbolo do amor e querer-bem.

Apocalipse Now


Cyntia Pinheiro 28/06/2012



Ontem me deparei com uma notícia na internet que me fez refletir um pouco: a Coca-Cola vendida no Brasil possui alto teor de uma substância cancerígena. Mas qual a novidade disso? A mim nada parece novo, afinal, se pararmos para pensar não existem mais alimentos saudáveis, exceto aqueles que você possa cultivar com as próprias mãos em sua horta ou no seu galinheiro particular, o mais está contaminado pela avareza humana.

Tudo é cancerígeno e não é necessário ser especialista para perceber isso, afinal, os casos de câncer vêm crescendo assustadoramente nas últimas décadas, resultado da nossa alimentação contaminada de produtos químicos, tais como conservantes, corantes, aromatizantes artificiais, etc.

Em meados da década de 80 – um tempo não muito distante – ouvia-se raramente falar de alguém que portava a doença, lamentavelmente, o diagnóstico era uma sentença de morte, hoje, felizmente muitos casos são tratáveis e alguns deles 100% curáveis, o que demonstra que não estamos lançados à própria sorte, a ciência evoluiu e continua evoluindo, prova de que Deus tem compaixão apesar de nossa irresponsabilidade.

Mas o câncer, embora tratável, é uma doença que gera muito sofrimento e, infelizmente, vitimará muitos de nós no futuro, porque a ganância do homem é muito maior do que o seu senso de moralidade.

Estamos acabando com o planeta e conosco mesmos. Somos escravos do dinheiro e é ele quem dita as normas por aqui. Quem pode pagar não fica mais com os cabelos encaracolados, porque o formol lhe dá um resultado perfeito, mas ninguém pensa nas consequências disso daqui uns anos. A vaidade é tão burra ou ingênua quanto inconsequente.

Não sabemos a procedência dos alimentos que consumimos, o leite dura seis meses ou mais dentro de uma caixa de papel, dobra-se o volume com água oxigenada, pouco importa se crianças o consumirão. Comidas prontas vendidas em caixinhas que duram “milagrosamente” até um ano. É hormônio para engordar o frango, e muito, muito mais... Coisas que nem imaginamos, tudo feito estrategicamente para enriquecer algumas pessoas sem a menor cogitação de respeito pelo semelhante.

Então partimos para uma dieta saudável, mais frutas, verduras, legumes e, iludidos, não conhecemos a procedência de nada, nem do volume lastimável de agrotóxicos utilizados em sua produção. A menos que plantemos nossa própria hortinha (aqueles que têm o privilégio de um espaço no quintal), estamos todos vivendo a falsa impressão de que nossa alimentação está saudável.

Isso demonstra quão vil é o homem e o quanto ainda precisamos evoluir. E isso vai levar tempo. Muitas gerações (se o planeta não derreter antes) ainda nascerão aqui para fazer o que precisa ser feito. Enquanto o dinheiro for mais importante do que a vida do outro, enquanto continuarmos destruindo essa magnífica biodiversidade do planeta terra a custa do enriquecimento material, enquanto os políticos continuarem solapando a grana da merenda das crianças que nada têm em casa para comer, enquanto continuarmos sendo essa gentinha que temos sido até aqui, não mereceremos habitar esse mundo maravilhoso que Deus nos deu.

Só um apocalipse mesmo para salvar esse planeta lindo de nossas garras tão cruéis, afinal, somos o câncer do planeta e ele está começando a fazer quimioterapia.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Festa de maio

Josilmar Batista Pinheiro (papai)
21/05/2012


Como todo taiobeirense que se preze, sinto-me orgulhoso quando ouço visitantes elogiarem minha cidade, enaltecendo sua organização, suas ruas limpas, seu comércio dinâmico, enfim o seu aspecto de cidade bem cuidada e  bem administrada.

Digo isso, sem puxa-saquismo, porque a verdade salta aos olhos e não há como não enxergá-la, mesmo  que alguém queira fazê-lo.

Hoje, ao me levantar da cama, estive pensando na maravilhosa festa promovida pela poder público e que ontem teve o seu encerramento. Vi e ouvi muitas pessoas dizerem que foi a melhor de todos os tempos, pela organização, pelo quantidade de visitantes e, notadamente, pelo aumento do volume de expositores na FERARP, o que reflete algo de muito bom para a economia do município.

Tudo isso nos enche de orgulho e nos faz crer que a nossa querida e abençoada terra está no caminho certo e que dias ainda melhores virão por consequência do que está sendo feito hoje.

Acredito e desejo ardentemente que iremos alcançar progresso cada vez maior em todas as áreas, mas ao mesmo tempo, vejo com ressalvas uma área em que Taiobeiras precisa melhorar. E melhorar muito: a área cultural.

Sei o quanto é difícil despertar na cabeça das pessoas o gosto pela arte verdadeira, que faz bem ao espírito e, principalmente, nos faz ver o mundo de forma mais amena. O fato é que a  grande massa popular está completamente envolvida e até induzida pela mídia a gostar e a consumir o que é mais fácil de se assimilar  mas que, quase sempre, se constitui em verdadeiro lixo cultural, descartável, fútil, tornando-se vetor da destruição dos valores morais, às vezes levando precocemente as pessoas ao consumo desenfreado de drogas e à prática da prostituição. Estou falando especificamente de músicas que “rolaram” no grande palco, nos quatro dias de festa.

Neste cenário, fica extremamente difícil apresentar algo diferente, porque seria NADAR CONTRA A CORRENTEZA,  mas estive pensando no que ouvi de uma pedagoga recentemente e achei oportuno transcrever seu pensamento nestas mal traçadas linhas: “DEUS, na sua sabedoria infinita, quando deixa de atender alguns de nossos pedidos, é porque, com certeza, Ele sabe que o que estamos pedindo não é bom para nós, tanto é que mais adiante vamos enxergar isso com clareza. Se  perguntarmos a uma criança o que ela gostaria de fazer na sua vida, ela responderia que gostaria de não ter que ir à escola, e que a deixassem brincar o tempo todo com vídeo-game, etc.,  e que não a proibissem de fazer o que ela bem entendesse. No entanto, os pais, sabedores de que esse não é o caminho certo, insistem em levá-la para um educandário.

Ante o exposto, na minha humilde visão dos fatos, acredito que deveria haver um critério mais seletivo na escolha dos grupos musicais, sejam da cidade ou não, que venham a se apresentar no palco da nossa festa mais prestigiada do ano. Ontem, na noite de encerramento, vi um grupo cantando músicas sertanejas com letras de duplo sentido, incitando à prática de sexo, com duas pré-adolescentes no palco, dançando à frente, de forma exortativa a atos libidinosos. Aí perguntei a mim mesmo: onde estão as autoridades (Conselho Tutelar, Juizado de Menores) para coibir tais abusos? É bom não nos esquecermos da pecha horrorosa atribuída a Taiobeiras há algum tempo, por causa da prostituição infantil.

domingo, 20 de maio de 2012

Lágrima amarga

Cyntia Pinheiro


Acabo de retornar de agradável passeio à casa dos meus pais em Taiobeiras. Fomos eu e meus pequenos Samuel e Vinícius passar uma semana por lá e o maridão/paizão nos buscou no fim de semana.

É bom viajar, mas também é bom retornar. Porém, apesar de agradáveis - passeio e retorno - , uma imagem marcará para sempre a minha vida, uma imagem triste para mim.

No dia 17 de maio estive visitando minha avó paterna, a quem carinhosamente chamo do Vovó Lita. Ela que sempre foi uma mulher alegre, divertida, cheia de piadas e sorrisos largos, padece há algum tempo do famigerado Alzheimer. Nas outras visitas que fiz, em outras idas a Taiobeiras, apesar de decadente, vovó me parecia melhor, seus olhinhos ainda brilhavam, sua voz ainda era ouvida e ela podia se mover com facilidade.

Dessa vez, cortou-me o coração vê-la parada, olhar distante entre um cochilo e outro, imóvel por quase todo o tempo. Já não sustenta a saliva e sua face está rígida. Não é a mesma vovó. Vovó Lita tinha uma voz estridente, barulhenta, alegre, tinha sempre uma piadinha pronta e me contava seus romances dos tempos de solteirice. Trabalhou e aposentou-se nos correios, tinha uma letra bonita, fluida e uma boa cabeça para os números.

Apaixonados, ela e o vovô, até pouco antes da doença, poderiam ser vistos em qualquer noite passeando de mãos dadas pela pracinha no centro da cidade. Dinâmica, inteligente, feliz. Assim era a vovó. Como pôde ficar desse jeito tão tristonho de se ver?

Com zelo as tias queridas cuidam dela dia e noite e o vovô já nem espera mais que o tempo a faça melhorar, o vovô continua acarinhando, beijando, amando como a amou a vida inteira, sempre foram um casal lindo de se ver. Jamais brigaram, sempre os víamos namorando, mesmo com o embranquecer dos cabelinhos.

Ao sair, mesmo tendo ouvido dizerem que ela já não reconhece mais ninguém, peguei com firmeza em seus ombros, e perguntei: "Vovó, você se lembra de mim? Sou a Cyntia" e ela olhou no fundo dos meus olhos, fez um minúsculo gesto de afirmação e uma grossa lágrima escorreu pelo canto de seu olhinho esquerdo.

Jamais me esquecerei desse momento, que me emociona, entristece e que me marcou para sempre.
Que Deus lhe conforte, vovó querida, todos os dias, até que chegue o dia de partir.

Com todo afeto do meu coração,

Cyntia Pinheiro.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

É isso aí, bicho!

Josilmar Batista Pinheiro



Fico pensando na relativa rapidez com que ocorrem as mudanças na forma das pessoas se expressarem. É impressionante observar como as palavras desaparecem do linguajar do povo, dando lugar a novos vocábulos, sendo que algumas palavras persistem em continuar no vocabulário popular.

Eu que pertenço a geração que sofreu uma verdadeira revolução na música, na moda, etc.,  às vezes penso no turbilhão de gírias que surgiram na minha juventude, impulsionadas pelos ídolos da música, como Roberto Carlos, que até hoje gosta de tratar as pessoas de sua convivência, de forma carinhosa, usando as expressões: "é isso aí, bicho!" , "são muitas emoções, bicho"...

Não tenho a pretensão de fazer uma análise detalhada das influências sofridas pela nossa língua pátria ao longo dos tempos, até porque não tenho o preparo necessário para isso. O que na verdade desejo é expor fatos pitorescos a que tive oportunidade de presenciar e que achei engraçados, pela forma inusitada como aconteceram.

Lá pelos anos 80, o Grupo de Jovens Beija-Flor, entidade ligada a religião católica, todos os anos, durante as comemorações da semana santa em Taiobeiras, encenava a peça teatral referente à paixão e morte de Jesus Cristo. Eu sempre participei, na parte de direção, com alguns pitacos.

Estava eu sentado no meio da platéia que lotava o salão onde funcionava o Clube Social, assistindo  compenetrado ao desenrolar da peça, que já se encaminhava para sua parte final, em que Jesus é submetido a  interrogatório. Usando o palavreado erudito do texto bíblico, Pilatos, vira-se para Jesus e diz: "Tu és mesmo o filho de Deus?"  E Jesus,  responde cabisbaixo: "Tu mesmo o dizes".

Aproveitando-se do intervalo que veio a seguir, um então jovem amigo que estava ao meu lado, saiu com essa tirada: "Se fosse nesta época de hoje, Jesus, que era um jovem revolucionário, teria respondido assim: " É isso aí, bicho!...' "

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Não atire apenas a primeira pedra, atire todas as que suas mãos puderem segurar...

Cyntia Pinheiro*



Há algumas semanas estivemos diante de um julgamento polêmico por parte do STF, a descriminalização do aborto de feto anencefálico.

Diante de assunto tão delicado muitas vozes se levantaram - e de maneira muito legítima - contrárias ao aborto. Dentre os segmentos religiosos cristãos vários foram os padres, pastores, médiuns e fiéis apaixonados - estes ainda mais que os outros - que se manifestaram demonstrando severa e imutável opinião terminantemente contra a prática outrora considerada criminosa.

E eu, como cristã que sou (e não levantarei aqui bandeira alguma) não penso muito diferente com relação à pratica abortiva. Aborto é crime, é privar um novo ser da oportunidade de experienciar a vida, um direito seu previsto em lei e, mais ainda, previsto na construção moral da sociedade.

Não tenho a menor dúvida de que, em se tratando de mim mesma, jamais atentaria contra uma vida humana, especialmente aquela que a bondade divina houvesse confiado a mim através da concepção. Embora haja previsão legal para a prática abortiva em caso de estupro e, ainda, em caso de risco de morte materna, penso que nem assim abortaria.

Mas, é muito discrepante pensar que a lei autoriza o aborto em caso de estupro, preservando a dignidade da mãe, em face de um feto muitas vezes viável em termos físicos e biológicos, mas considerar essa mesma mãe uma criminosa em caso de feto anencefálico. Mais coerente, para as correntes que são contra o aborto de anencéfalo, seria que a mulher vítima de estupro gerasse e entregasse o filho para adoção, caso não desejasse criá-lo.

Também é discrepante considerar que a mulher em risco de morte decorrente de gestação perigosa, possa abortar, sem ser considerada criminosa, ou seja, sua vida é colocada como bem maior perante a vida do feto que lhe mina as possibilidades de sobrevivência, mas no caso de feto anencefálico, alguns dizem que não há ponderação possível, devendo a mãe suportar a sua própria tragédia e gerá-lo ainda que a gestação culmine em lastimável óbito, do contrário, é criminosa.

Ora bolas, quanta hipocrisia em nossa sociedade. Então, agora atiraremos pedras nos ministros que votaram em favor da chamada “antecipação terapêutica do parto”, porque AGORA a vida do feto é mais importante do que a dignidade da mãe.

No meu humilde sentir, e sempre referindo-me a atos próprios e não buscando uma generalidade, ninguém deveria abortar em hipótese alguma, mas não sou senhora do sentir alheio e não posso atirar pedras simplesmente por defender a minha ideologia e o meu pensar.

Se me permitem um parêntese, aos dezenove anos uma saudosa prima que estava grávida de um menino saudável, recebeu o lamentável comunicado médico de que sua gestação deveria ser interrompida porque havia risco de morte para ela em decorrência do parto. Nobre que era, guardou para si, compartilhando apenas com a mãe, sua situação, preferiu gestar o filhinho que amou desde a concepção, o resultado trágico foi sua morte prematura logo após o nascimento de seu rebentinho, mas o valor de sua atitude apenas Deus pode mensurar.

Se Deus existe – e creio com toda minha alma que Ele existe – não é humano como nós. Pobres de nós! Ele conhece nossos corações, e então eu pergunto: De que adianta proibir a mulher se em seu coração o desejo maior é contrário à proibição? Acaso estará isenta de culpa por fazer algo que a lei obriga, sendo seu ânimo diverso?

Se até o juiz pode sentenciar o crime ponderando pelo dolo ou pela culpa, quanto mais Deus, que percorre as entranhas de nosso coração, vela por nossos sentimentos não saberá, de fato, o que pretendemos fazer? Não é a lei que o dirá, pois essa é uma questão de foro íntimo e merece todo nosso respeito.

Por isso, caríssimo leitor, penso que a decisão foi acertada. Claro que temo pela prerrogativa aberta ao aborto eugênico, e a outras formas de aborto que porventura venham a ser descriminalizadas, mas confio em Deus e sei que Ele tem um plano maior para tudo isso.

Ele nos deu liberdade de escolha, por que eu penso que posso minar a liberdade do outro? Quem somos nós para mensurar a condição da mulher que se encontra vitimada por semelhante tragédia humana? Só ela mesma saberá se é capaz de suportar sua cruz. Lei nenhuma terá o condão de transformar o interior de alguém, cada um sabe a dor que é capaz de suportar, e eu não atirarei pedras em ninguém, simplesmente porque seu pensamento difere do meu.

Acaso Deus, em sua infinita misericórdia, conhecedor de todas as nossas mazelas íntimas não saberá quem é merecedor ou não do seu perdão? E nós “Cristãos”, continuaremos atirando pedras??????



 *Cyntia Pinheiro, mãe, professora de música, maquiadora e acadêmica de Direito nas Faculdades Santo Agostinho.



sexta-feira, 13 de abril de 2012

Só para eu nunquinha me esquecer

NO DIA DOS NAMORADOS


Mamãe, eu te amo muito. Você é a mamãe mais linda do mundo inteiro. Amém.

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O GENEROSO

- Xi, o sol tá batendo no seu rosto de manhã, né filho?
- Pois é, mamãe, mas foi você que mudou minha cama de lugar.
- Você quer trocar de lugar, meu bem?
- Não, mãe, senão o sol vai bater no rosto do Vinícius de manhã.

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CHEIO DE AUTOESTIMA

Eu te amo, eu mesmo!

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O CRIATIVO

Samuel brincava com o priminho Gabriel na varanda, enquanto eu fazia o almoço de domingo.
Subitamente ele entrou na cozinha se acabando de dar risada:
- Mãe, Gabriel quebrou o fi-o-fó no chão... hahaha...
Surpresa com a palavra recém-descoberta, perguntei:
- Você sabe o que é fi-o-fó, menino?
- É a bunda, mãe, ele caiu de bunda no chão... hahaha... - ele gargalhava.
Notei que sua barriga estava com um risco vermelho, então perguntei:
- Você também se machucou, né? Que barriga vermelha é essa?
Ele parou de rir imediatamente e passou a examinar a si mesmo, de repente falou preocupado:
- Ué, parece que eu quebrei minha barriga-fó.

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O ENGRAÇADINHO

- Pai, hoje eu vi todos os meus coleguinhas indo embora.
- Como vc viu, Sam?
- Ué, vi com os olhos!

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O EXIGENTE

- Mãe, eu não gosto de queijo de rato, queijo de rato é horrível, só gosto desse queijinho cremoso aqui.

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O ROMÂNTICO

- A lua é minha namorada.

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CONSCIÊNCIA FINANCEIRA

- Mãe, esse brinquedinho é caro ou barato?
- Baratinho, filho.
- Então eu quero.

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CONSCIÊNCIA FINANCEIRA II

- Quem você acha mais bonita pra ficar comigo, Cris ou Janinha?
- Vc quem escolhe filho, as duas são bonitas.
- Então qual é a melhor?
- As duas são ótimas, Sam. Só que Cris tenho que pagar, Janinha não.
- Então eu quero Janinha.

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O MADURO

- Mãe, meu pai vai morrer e eu vou cuidar de você e do Vinícius.

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O MADURO II

- Mãe, quando você e meu pai morrerem eu vou cuidar do Vinícius. E quando eu morrer o Vinícius vai casar.

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O APAIXONADO

- Mãe, eu te amo, mas quero que o meu pai venha me buscar na escola hoje.

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O APAIXONADO II

- Não quero dormir na casa de ninguém, só quero dormir aqui, porque senão eu vou sentir muitas saudades.

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O NEGOCIANTE

- Mãe, compra um chocolate pra mim?
- Agora não.
- Então um chiclete.
- Ah, Sam, agora não, filho!
- Olha mãe, essa boquinha é bem legal! (um brinquedinho q parece uma dentadura)
- É Sam, mas é muito cara não vou comprar, tudo o que você vê você quer.
- Então compra um Kinder Ovo, ele é chocolate e brinquedo!
- Tá bom, Sam... você venceu! Moça, passa um Kinder Ovo também.
- Ai mãe, obrigado... Mas eu vou sentir tanta saudade daquela boquinha...

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