Cyntia Pinheiro
O fato, o feto
o féretro, a foto
o fêmur, a fêmea
a falta, o fósforo
a fila, o físico
a favela, o fedor
o favor, a finesse
o fator.
Final. Feliz. Fim.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Saudade...
Cyntia Pinheiro
Saudade de quando eu escrevia...
Alguma palavra bêbada
Que eu bebia
Na entranha de mim mesma
Nostalgia.
20/01/14
Saudade de quando eu escrevia...
Alguma palavra bêbada
Que eu bebia
Na entranha de mim mesma
Nostalgia.
20/01/14
quinta-feira, 2 de maio de 2013
O Bulliyng nosso de cada dia...
Cyntia Pinheiro
02/05/13
O diferente incomoda. E não é pouco. Incomoda tanto que é necessário
colocar pra fora. Explicitar.
Crianças desde cedo começam a notar o diferente. O que não
se enquadra é sempre motivo de comentários. Em um primeiro momento são só
constatações, nada maldoso, nada de bulliyng. Já que este é concomitante com o
nascimento da malícia, da “maldadezinha” que só criança mais velha tem.
E elas começam a notar o menino que usa óculos, o magricela,
o gorducho, o baixinho, o negro, a sardenta, o dentuço, a de cabelos crespos, a
nariguda...
Se fossem deuses da beleza vivendo no Olimpo da perfeição
até que eu poderia concordar, mas não o são, o que as pessoas precisam perceber
desde tenra infância é que ninguém tem o direito de apontar a diferença do
outro como sendo um defeito, porque todos somos diferentes e nem por isso
nossas diferenças constituem defeitos.
Sofri bulliyng a minha infância inteira por causa da minha
estatura, tenho indiscutíveis 1,50m de
estatura, quando era criança/adolescente, isso me incomodava muito, mas hoje
vejo como sendo uma grande vantagem, pois todos sempre me atribuem menos idade
do que tenho.
Os apelidos eram terríveis, de péssimo gosto, há uma palavra
que mal consigo pronunciar de tão perversa...
Mas passou! Ufa! Passou! Porém, à época, os danos à autoestima foram
terríveis.
E agora, começo a sofrer novamente porque sei que os meus
filhos passarão pelo mesmo problema. Eles são e serão pequenos para todo
sempre, amém. O que eu puder fazer para que eles cresçam eu farei, aliás já estou
fazendo, mas sei que não há muito para ser feito.
O mais velho tem seis anos e, na escola, sempre foi o menor
da turma e talvez seja sempre assim. Hoje, ao leva-lo à escola encontramos na
porta uma coleguinha que o acompanha desde o maternal, ela disse:
- Samuel parece que tem quatro anos.
Fiquei meio perdida, meio sem saber o que dizer, então
respondi:
- Mas ele é muito fofo, né?
Ela respondeu:
- É, ele é fofo mesmo. Só é pequenininho...
Abracei meu filhote e respondi:
- Sabe por que ele é pequenininho? Porque a mãe dele é
pequenininha, o pai é pequenininho e o irmão dele também. E você sabia que é
muito bom ser pequeno assim?
Para minha surpresa ela respondeu:
- Eu sei sim, as pessoas pequenas se escondem melhor no
esconde-esconde e são mais rápidas também.
Com aquela resposta dei o assunto por encerrado. Vi que se
tratava só de constatação e que não evoluiria para um bulliyng. Mas já é a
segunda vez esse ano que passo por esse tipo de situação com meu filho, e sei
que outras virão e coisas beeeeeeem piores serão ditas. Não sei muito bem como
agir, se ele fosse gordinho eu teria a resposta na ponta da língua: “ se você não
quer que te chamem de gordo, emagreça”, mas, infelizmente, não dá pra dizer: “
se não quer ser chamado de baixinho, cresça”. Como não dá pra dizer ao negro: “
embranqueça”.
Nós temos que aceitar o que não pode ser mudado, mas podemos
mudar a mentalidade das crianças para que as diferenças sejam respeitadas. E,
trabalhar também, as sensibilidades. Afinal, nem tudo nesse mundo é bulliyng.
Diferença é apenas diferença e todo mundo tem alguma. Dizer
que o outro é gordo pode ser ou não uma ofensa, depende do contexto em que isso
é dito. Referir-se a alguém pelo seu tom de pele também, detesto quando dizem
que fulano é “escurinho” ou “moreninho” quando a pessoa é negra, é negro e
pronto, tem que se orgulhar disso, não é motivo para constrangimentos, exceto
quando o contexto favorece a ofensa.
Já me chamaram de apelidinhos tão carinhoso que eu gostei,
mas já me disseram coisas tão grotescas que eu detestei, tudo é contexto e
intenção, essa é a que vale!
Devemos ensinar as nossas crianças a respeitar as
diferenças, para um mundo mais feliz!
quarta-feira, 27 de março de 2013
Segredo de beleza
Cyntia Pinheiro
Sim,
eu vendo cosméticos, não faz muito tempo. Eles são bons, cheiram bem e atesto
que são de excelente qualidade, afinal os utilizo quase todos os dias.
Mas
em minhas andanças por aí descobri uma coisa interessante: a beleza está na
alma da mulher, muito mais do que na aparência exterior.
Fiz,
agora em março, 35 anos de idade e, isso às vezes me chateia, pois percebo que
meu reflexo no espelho tem mudado, já não tenho a pele dos 18 anos, nem a
jovialidade dos 15, mas tenho um pouco mais de maturidade e ela deixa marcas na
pele. O bom é que agora eu sei que a pele tem jeito, basta seguir um
ritualzinho de beleza diário e a gente vai amenizando os efeitos do tempo,
afinal toda mulher deseja envelhecer bem.
Envelhecer
bem, por sua vez, é para poucas. Pois não envolve apenas a aparência da pele, o
tônus muscular, ou as curvas arredondadas pelo silicone, envelhecer bem é
estado de espírito, tal qual a beleza também o é.
Muitas
mulheres nos dias atuais vivem extremamente infelizes, porque são prisioneiras
de excessivos cuidados com o exterior e esquecem de nutrir-se da energia do
bem-querer, da leveza do ser e do desfrute de doses miúdas e diárias de
pequenas alegrias. Vivem tensas porque não podem, em hipótese alguma, serem
vistas descuidadas, desprotegidas de sua criação fantasiosa de uma aparência
rigidamente impecável. Nem os maridos conhecem suas esposas. Conheço uma com
mais de 40 anos de casada e que afirma que o marido jamais a viu desarrumada,
sempre se levantou de madrugada para tomar banho, secar os cabelos, vestir-se,
perfumar-se, maquiar-se e estar radiante e pronta todas as manhãs ao despertar
do companheiro. Para mim, com o perdão da crítica, mas são 40 anos de prisão e
martírio!
Eu
prezo a normalidade, a simplicidade, a verdade! Gosto de estar a vontade em
casa para rolar no chão quando meus filhos quiserem rolar no chão, para me
sujar de tinta com seus pinceis desajeitados, gosto de me lambuzar de sorvete,
esfregar a mão molhada no short, gosto de me entregar à vida sem ressalvas, nem
frescuras. Jamais vou arrumar a casa maquiada ou bem vestida com medo de perder
o amor do marido, isso é o fim da picada! E muita gente se preocupa com isso!
Muuuuuuuuuita gente!
Arrumação
tem hora marcada. Até Chico Xavier, um dos maiores ícones de humildade e
simplicidade que o Brasil já conheceu usava peruca para esconder a calvície e,
segundo ele mesmo, aquela era uma forma de respeitar as pessoas que com ele
conviviam, pois as pessoas não eram obrigadas a conviver com tamanha feiura. No
meu sentir, ninguém deve se descuidar, andar desleixada ou amargurada com a
própria aparência, mas há momentos e MOMENTOS!
Eu
amo me arrumar, me maquiar, me cuidar! Mas não sou escrava disso, faço quando
quero, quando posso e porque estou a fim, não para agradar aos outros, mas para
agradar a mim mesma e a minha autoestima. Já disse: quero envelhecer bem! Sem
excessos! Sem silicone e sem me preocupar com a opinião alheia.
Pois
em minhas andanças por aí também descobri que nada faz uma mulher mais bonita
do que o brilho de felicidade em seus olhos e a fartura do seu sorriso franco!
27/03/2013
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Se você fosse um homem eu quebrava a sua cara!
Cyntia Pinheiro
"Se você fosse um homem eu quebrava a sua cara". Ouvi essa frase hoje em um supermercado e estremeci.
Era cedo, cerca de nove horas da manhã, havia pouca gente fazendo compras, o local estava bem tranquilo.
Cheguei ao caixa com os produtos que desejava adquirir, quando os berros de um homem chamaram a minha atenção. Ele esbravejava, xingava e dizia palavras absurdamente grosseiras à moça do caixa, que entre assustada e indefesa, apenas ouvia silenciosamente.
O homem aparentava uns cinquenta e poucos anos, grisalho, bem vestido, boa aparência, apesar da cara de ave (sim, ele parecia um gavião de olhos bem arregalados - coisa que só percebi na saída e mais adiante explico a razão).
A confusão aconteceu mais ou menos uns dez caixas adiante do que eu estava e eu não faço ideia do que houve, mas isso pouco importa. Não vejo razão alguma para tamanha agressão. Nada no mundo justifica que um homem diga semelhantes palavras a uma mulher. Especialmente, uma mulher que está ali representando uma empresa, fazendo nada além do que prestar um trabalho.
Claro que algo aborreceu o homem, e é claro que a moça do caixa pode ter feito algo de errado, mas não, nada me convence de que não houve excesso. O mundo está cheio de gente coberta de razão.
Pessoas cheias de razão não deveriam sair às ruas, porque não conseguem se relacionar com outras pessoas.
Problemas todo mundo tem, mas educação hoje é artigo de luxo! E quem vive cheio de razão nem sempre é capaz de desfrutar da serenidade que a boa educação agrega e saem por aí descontando seus problemas e frustações nos outros.
Me dirigi ao carro angustiada com o que presenciara e ao sair do estacionamento, passando em frente à porta principal do supermercado, vi o homem de perto, ele saia do recinto carregando um pacotinho de pão-de-forma na mão, sim, pão-de-forma, provável motivo da confusão, e olhou para mim com uma cara de arrogância como jamais vi igual, foi aí que notei que ele tinha cara de ave. Um gavião. Grisalho. Olhos esbugalhados. Cheio de razão!
"Se você fosse um homem eu quebrava a sua cara". Ouvi essa frase hoje em um supermercado e estremeci.
Era cedo, cerca de nove horas da manhã, havia pouca gente fazendo compras, o local estava bem tranquilo.
Cheguei ao caixa com os produtos que desejava adquirir, quando os berros de um homem chamaram a minha atenção. Ele esbravejava, xingava e dizia palavras absurdamente grosseiras à moça do caixa, que entre assustada e indefesa, apenas ouvia silenciosamente.
O homem aparentava uns cinquenta e poucos anos, grisalho, bem vestido, boa aparência, apesar da cara de ave (sim, ele parecia um gavião de olhos bem arregalados - coisa que só percebi na saída e mais adiante explico a razão).
A confusão aconteceu mais ou menos uns dez caixas adiante do que eu estava e eu não faço ideia do que houve, mas isso pouco importa. Não vejo razão alguma para tamanha agressão. Nada no mundo justifica que um homem diga semelhantes palavras a uma mulher. Especialmente, uma mulher que está ali representando uma empresa, fazendo nada além do que prestar um trabalho.
Claro que algo aborreceu o homem, e é claro que a moça do caixa pode ter feito algo de errado, mas não, nada me convence de que não houve excesso. O mundo está cheio de gente coberta de razão.
Pessoas cheias de razão não deveriam sair às ruas, porque não conseguem se relacionar com outras pessoas.
Problemas todo mundo tem, mas educação hoje é artigo de luxo! E quem vive cheio de razão nem sempre é capaz de desfrutar da serenidade que a boa educação agrega e saem por aí descontando seus problemas e frustações nos outros.
Me dirigi ao carro angustiada com o que presenciara e ao sair do estacionamento, passando em frente à porta principal do supermercado, vi o homem de perto, ele saia do recinto carregando um pacotinho de pão-de-forma na mão, sim, pão-de-forma, provável motivo da confusão, e olhou para mim com uma cara de arrogância como jamais vi igual, foi aí que notei que ele tinha cara de ave. Um gavião. Grisalho. Olhos esbugalhados. Cheio de razão!
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
TIÃO MAIS CONCEIÇÃO
Texto de Cyntia Pinheiro.
(Este é mais um textinho que fiz para teatro, fez teeeeeeeeeeeeempo, foi em 1996 quando vim morar em Montes Claros, tinha 18 aninhos, foi apresentado na faculdade com adaptações e também no Forró do Lorenzo do Conservatório há uns três anos) Divirtam-se:
NARRADOR:
PAI DA CONCEIÇÃO:
(Este é mais um textinho que fiz para teatro, fez teeeeeeeeeeeeempo, foi em 1996 quando vim morar em Montes Claros, tinha 18 aninhos, foi apresentado na faculdade com adaptações e também no Forró do Lorenzo do Conservatório há uns três anos) Divirtam-se:
NARRADOR:
Boa noite, boa tarde, bom dia!
Vô lhes contá um causo
Que assucedeu outro dia.
Era uma veiz uma famia
Lá das banda do nordeste
Tinha uma mãe muito pia
E o pai era um cabra da peste.
A fia, uma moça prendada,
Mas era feia, muito arrasada.
Cunheceu um rapaiz
E logo ficô arriada
E logo ficô arriada
Um dia o cabra sumiu
E deu uma sardade danada,
Mas quando o coitado vortô
A festa já tava arrumada.
Fugí era um pôco arriscoso
A mode que o pai era pirigoso
E o danado do noivo,
já tinha feito o gostoso.
A noiva prenha e desonrada
A famia intêra aprumada
O padre já na ispera
E o noivo naquela quimera!
Com um "resolve" no lombo
E a dama segurando o pombo
O jeito foi casá.
Ah! Mais a festa foi boa,
O forró nóis dancemo
O quentão nóis bebemo
E o noivo nem tá mais sofreno
Ocêis tinha que tá lá prá vê
A noiva já embuxada
E o noivo sem bem-querê.
Essa é a história que nóis vai
contá procê.
CENÁRIO: O NOIVO NA PLANTAÇÃO, ENTRA A NOIVA E FICA A
RONDAR...
NOIVO:
Ochente, quem é ocê
Que véve a me arrudiá
Parece que qué me vê
O intão qué me falá.
NOIVA:
Né só vê que quero não
Quero sabê o seu nome
O meu é Conceição.
NOIVO:
Eu chamo é Tião
Se ocê é Conceição
Nóis pode namorá intão
NOIVA:
Vixe! Que avexamento!
É agora que eu to quereno
Cum dé fé o derradêro
Vai sê nosso casamento.
NOIVO:
Casá eu num caso não
Só quero mermo é bejá
Ê trem danado de bão
Coisa mió num há.
NOIVA:
Tá acertado
intão,
Tião mais
Conceição,
Mais agora
vou-me já
Senão meu pai
vai lhe capá.
NOIVO:
Se me capa tá danado
Mais dê cá meu isperado
Quero bejá ocê
Pra valê o contratado.
NOIVA:
Já sei que ocê tá quereno
É se apruveitá de mim
Num bejo, num bejo, num bejo
Dispois nóis namora um tiquim.
NUMA OUTRA CENA ESTÁ O PAI E A MÃE DE CONCEIÇÃO, ELA CHEGA
CONCEIÇÃO:
Ocêis num sabe o que eu achei
No meio da prantação
Um cabra da muléstia
Que arruinô meu coração.
MÃE:
Escute essa maravia
Ela disincaiô
Homi, é sua fia
Que um noivo arrumô!
PAI:
Vamo marcá o casório
Que se o cabra oiá de perto
Vai vê que tá no purgatório
E aí num dá mais certo.
MÃE:
Fia ocê tem que cuá
O chá de mixirica
No imborná de sá
Deixá o cabra tiririca.
CONCEIÇÃO:
Peraí mãinha,
Casá ele num qué não
Inda mais quando ele vê
Que eu sou um canhão.
Que eu sou um canhão.
MÃE:
Num indianta mermo
Ocê me dá sarstifação
Se ocê faiz a simpatia
Pega bem no coração.
PAI:
Quero vê ele num casá
Quando vê minha coleção (MOSTRA
AS ARMAS)
A famia vai chegá
A famia vai chegá
E quero padrinho de montão.
NARRADOR:
Meus cumpadi ocêis num sabe
É dispois disso tudo
O que Conceição feiz
Cum seu noivo barrigudo.
CONCEIÇÃO:
Tião, nóis ficô noivo
Que casá nóis vai tê.
Meu pai tá incunvidando o povo
Mermo sem ti cunhecê.
TIÃO:
Nóis ainda nem bejô
E eu falei que num casava
Vem aqui meu amô
Pra nóis dá uma apruveitada.
CONCEIÇÃO:
Só vô se ocê
falá
Que cumigo qué casá.
TIÃO:
Intonce ocê vem
Que dispois nóis cunversa
Pois olhe aqui meu bem
Que hoje eu tô cum pressa.
Mais Tião ingambeladô
Muita moça já inganô
E dispois de apruveitá
Conceição ele dexô.
Viajô por muitos dia
E num quis aparecê.
Só que ele num sabia
Que também ia sofrê.
O véio pai da moça
Num agüentava mais
Foi buscá o sem vergonha
Pra vê se tinha paz.
Todo mundo quiria sabê
O que ia acontecê
O povo quiria a festa
Que o véi jurô fazê.
Quando suverteu no mundo
Por 4 mêis e 9 dia
Dexô Conceição chorano
Da sardade que sintia
Vortô cum uma arma nas costa
E o povo a isperá.
Conceição com a barriga
Num dava nem pra disfarçá.
O padre preguiçoso
Acordô cedo esse dia
E o povo sem demora
Foi vê a chegada da famia.
Os padrim era Julieta e Manel
Que dero de presente um pouco de
sarapatel
Era também Marieta e Serafim
Que truxeram um colchão
todo feito de capim
Zuleica e Abelardo
Truxero só o mal-olhado
Num gostavam do noivo
Que já tava incabulado
Veio também os pai do noivo
Seu Hermilino, num é minino
E Dona Fernergunda, num é
corcunda,
Só truxero raiva e insastifação
Pois a noiva feiz o chá só pra
sigurá Tião.
De agora indiante é assustadô
Oceis num sabe o vexame que o
noivo passô
Como num quiria entrá, o véio
apertô.
NOIVO:
Eu num quero casá
Cum essa muié banguela
Por isso num vô entrá
Nem vô abrí a cancela.
PAI:
Entra disinfeliz
Senão ocê vai vê
Três furo nesse nariz
Meu RESOLVE vai fazê.
Meu RESOLVE vai fazê.
NARRADOR:
O noivo tentou ir embora
Mas num dava pra correr agora
Oiô pra noiva Conceição
Vixe! Pió que assombração!
E o cabelo ruim
Mermo que vê um aramão.
PADRE:
Tião, ocê é um moço
Que trabaia pra vivê
Entrô nesse sufoco
Quê que nóis pode fazê?
TIÃO:
Olhe seu padre
Casá eu num quero não
Essa muié é muito feia
Inté parece assombração.
JULIETA:
É, na hora de fazê o gostoso
Botô um trabissêro na cara
Agora fica o bustiquento aí
Enrolado a pobre desonrada.
Botô um trabissêro na cara
Agora fica o bustiquento aí
Enrolado a pobre desonrada.
MANEL:
É mermo seu padre
Disincaia essa muié
Pois nóis qué dançá forró
E cumê muito paste.
PADRE:
Intonce nóis já vamo rompê
Mais Conceição ocê sabe
Esse homi num qué ocê.
CONCEIÇÃO:
Eu sei seu padre
Isso num é novidade
Mas nenhum qué
Essa é a verdade.
PADRE:
Seu Tião, o sinhô aceita
Entrá na forca e casá cum Conceição?
Entrá na forca e casá cum Conceição?
TIÃO:
E tem jeito de falá não
Cum o pai dela nas costa
Sigurando um revolvão?
PADRE:
Conceição, ocê que é incaiada
Qué casá cum Tião?
CONCEIÇÃO:
Num tem jeito,
Eu quero sim
Pois num vô achá ôtro
cum corage de oiá pra mim.
ZULEICA:
Ande logo seu padre
Que o quentão vai isfriá.
ABELARDO:
Indianta esse negóço
Pru forró nóis cumeçá.
MARIETA:
Ahhhhhh! (CHORANDO)
Discurpa, mais eu chego emocioná,
Um rapais inté bunito
Minha afiada vai sigurá.
SERAFIM:
Cala a boca muié
Num interrompe o sirviço
Casô a mode que ta prenha
E nóis num tem nada cum isso.
MÃE DO TIÂO:
O meu fio esse rapaiz
Nem apruveitô da vida
Agora ta casano
Cum essa desenxabida.
Cum essa desenxabida.
Minha fia é prendada
E é moça direita
Só é um pôco arrasada
Mais inda vai sê prefeita.
PADRE:
Cala a boca por favô
Que eu priciso terminá
Esse casamento da muléstia
Para a festa cumeçá.
Se o noivo tive corage
Para a festa cumeçá.
Se o noivo tive corage
A noiva pode bejá.
NOIVO:
Corage num tenho não
E num vô nem tentá
Pode ligá o são
Pru forró nóis cumeçá.
NARRADOR:
Ocêis num sabe que tristeza
Acabô assucedendo
Enquanto o povo dançava
A noiva ali sofreno
Tião foi bem dançá
Com as moça que tava lá
Nem viu Conceição
Que se pôs a chorá.
Só que essa tristeza
Inda vai sê maió
Quando ela dé pru fé
Ô dó!
No meio do rasta pé
No meio do rasta pé
Foi que Tião armô
Fugiu com a madrinha
Que a todo mundo inganô
Fingindo num gostá do noivo
Zuleica de Abelardo
Ingambelô o povo
Que ficô todo avexado!
No fim do forrozão
Foi que veio a tristeza
Na maió disilusão
Abelardo e Conceição
Sobraro que foi uma beleza!
Sem marido e sem muié
Cum a raiva lá dentro
Avisaro pro veio
Que ficô ferveno.
Cum a arma na cinta
Ocêis sabe o que ele fêiz?
Foi atrais do noivo?
Nunca mais ôtra vêiz.
Feiz foi ajuntá os dois
Pra mode eles assussegá
Foi uma locura,
Nóis num pode negá.
Mais o cabra da muléstia
Só eu sei o quê que virô
Contô essa história
Fingindo sê narradô.
No finar desse causo
Nem todos ficô feliz
Coitado do Abelardo
Num teve o finar qui quis.
(Cyntia
Cybelle Pinheiro)
Escrito
em 1996.
A Rosa e o Cravo
Este é um singelo texto que fiz para o meu irmão Giordano Pinheiro musicar e para ser apresentado pela equipe de musicalização do Conservatório Lorenzo Fernandez em fevereiro de 2011, e ele ainda não terminou de musicar... rs... Então compartilho para que vocês façam as merecidas críticas, antes que ele vire música. Beijinhos, Cyntia.
A Rosa e o Cravo
Música:
Borboletas trazendo o frescor
Passarinhos que vêm visitar...
Tão belos e tão coloridos,
Fazem festa na estação.
Mais felizes sois
Em todas as primaveras!
Enchem meu jardim de beleza
E a vida de nostalgia!
O meu cravo solitário
Tão bonito e tão só
Precioso relicário
Tanta pena! Tanta dó!
Como é bom ter flores pra enfeitar
Um jardim tão lindo de cuidar!
Mas, ouçam-me com toda atenção!
Antes que a lua cheia caia, no negro céu escuridão
A mais bela dentre vós eu vou buscar
Vou colhê-la para um vaso enfeitar
Pois uma flor alegra todo coração
E é uma oferta especial, de gratidão!
Cena: A menina sai cantarolando a música do começo. As flores discutem entre si:
Rosas: Vocês ouviram? O que está por vir?
Begônias: Ai, ai, minhas pétalas vão cair!
Alecrins: Ela vai escolher uma flor, a mais bela do jardim.
Girassóis: Com certeza isso vai
Acabar sobrando pra mim!
Margaridas: O que vai acontecer?
Ela disse que vai nos colher?
Eu aqui sou o único moço
Ela nem vai precisar do bem-me-quer
Seja lá o que for isso de colher
Estou certo de que sou especial
Vocês vão ver o que vai acontecer
O cravo sendo aclamado na geral
Girassóis: Você não tem razão
Só pode estar muito doente
É claro que o girassol
É muito mais imponente
Crisântemos: Ai, ai, quanto desgaste
Olhem bem, vejam vocês,
Não perceberam as cores fortes?
Dos crisântemos chegou a vez.
Cravo: Não agüento mais tanta bobagem
Ela gosta bem mais de mim
Que sou o único cravo nessa paisagem
Não percam seu tempo discutindo assim
Está me cheirando a perigo
Ai, quem me dera poder correr!
Cravo: Pronto, chegou a dona desconfiança
Não agüenta a idéia de que vai perder
Quanta ignorância! Rosa, desiste!
Essa festa não é para você!
Rosa: Mas eu nem quero concorrer
Tenho é medo de ser colhida
Não sei se isso vai doer
Cravo: Doer? Claro que não!
Não dói virar celebridade
Minha clorofila purpurinada
Nos holofotes será realidade!
Rosa: Cravo, não penso assim
Tem algo estranho no ar
Penso que algo ruim
Vai acontecer, pode apostar!
Cravo (debochado): A fotossíntese você já fez?
Porque tá parecendo biruta
Eu sou melhor que vocês
E, por favor, Rosa, não discuta!
Você ainda é um botão
Portanto, fique em seu lugar
Você não tem chance não
Então pare de me agourar!
E grita: Sai pra lá!!!!!!!!
Todas as flores: Oh! A amizade acabou!
E agora, o que restou?
Todas as flores: Calma, Rosa!
Não fique assim tão triste
O tempo cuidará do cravo
Confie em nós, acredite!
Begônias: Nos dias que se seguiram
A rosa só pôde chorar
E o cravo mesmo doente
Não se deixou cuidar
Alecrim: Ficava aborrecido
Em um canto, muito irritado
Pensando no acontecido
E não se dando por achado!
Tinha pena de ver como o cravo
Não tinha amigos, estava só!
Crisântemos: Mas não adiantou
Tanto pranto e infelicidade
O cravo se recuperou
E logo voltou a realidade
Margaridas: A rosa que já murchava
Ficou feliz em ver que o cravo
Já não agonizava
Ganhou viço, desabrochou,
Majestosa, bela e branca!
Ainda gostava do cravo
Nisso era bem franca.
Begônias: O cravo continuava petulante
Tinha certeza de que ganharia
Uma guerra que ele criara
No mundo da fantasia
Confiava em seu semblante
E na pinta de galanteria
Música tensa / meia luz
Alecrins: Eis que aconteceu
Quando o jardim dormia
A lua cheia boiava
No negro céu que surgia
Girassóis: Contam as margaridas
Que a menina chegou sorrateira
Tesoura em punho levou a rosa
Com um único golpe, certeira!
Música de suspense
Crisântemos: E lá está seu lugar
Vazio e desolado
Assim como se sente o cravo
Depois do golpe amargo
Margaridas: O jardim se entristeceu
Sem a rosa pálida e singela
O cravo quase morreu
De tanta saudade dela
Cravo: Como dói meu coração!
Que tragédia aconteceu
Como fui tolo e insensato!
Devia mesmo ter sido eu.
A rosa não merecia
Um destino assim tão mau
E eu que aqui pensava
Que ser colhido era legal!
Como posso ter brigado
Com uma amiga só por vaidade?
Amizade vale tanto
Por que perder por bobagem?
Agora eu aqui só lamento
A falta que ela me faz
Seguirei com meu tormento
Até quando? Não sei mais!
Techo de Música: Carolinha – Chico Buarque / somente o trecho que diz: “... uma rosa morreu... nosso barco partiu... etc”
Begônias: O cravo finalmente
Aprendeu a grande lição
Amizade vale muito
Brigar não é bom não!
Alecrins: E quando essa história
Estava quase chegando ao fim
Ela voltou ao começo
Uma surpresa pro alecrim
Margaridas: O jardim voltará a sorrir
Disso eu tenho certeza
Começando tudo outra vez
Para acabar com a tristeza
Girassóis: Três dias depois que a rosa partiu
A menina voltou ao jardim
Com um vaso bem pequeno
E o plantou bem perto de mim
Crisântemos: E disse com os cabelos ao vento
Uma coisa muito importante
Que nesse curto espaço de tempo
Já era pra nós emocionante!
Menina: Nesse vaso trago nova
A sementinha do amor
Plantei uma mudinha
Da rosa que desabrochou
A mamãe ficou feliz
Em ganhá-la de presente
Mas sabe que uma flor
No jardim é mais contente
Cena: As flores gritam e comemoram cantando a música final:
Refrão: Menino, o teu jardim tem flor? Ôôô
Cuide com amor (bis)
Menino cuide bem do teu jardim
E uma flor vai nascer tão linda assim
Não precisa ser a mais especial
A beleza quando surge é natural
FIM
A Rosa e o Cravo
Texto de Cyntia Pinheiro
Música de Giordano Pinheiro
Fevereiro / 2011
Cena 1: O palco é um jardim e a menina entra para regar suas
flores cantando:
O
suave perfume do amor
São
delícias em forma de flor
E
as gotinhas de orvalho a beijar
Cada
pétala faz cintilar...
Hum...
A
beleza do jardim em flor
São
as cores que fazem vibrarBorboletas trazendo o frescor
Passarinhos que vêm visitar...
Hum...
Cena: Enquanto rega, conversa com as flores:
Menina:
Crisântemos
tão queridos!
Enfeitam
meu coração Tão belos e tão coloridos,
Fazem festa na estação.
Margaridas
tão delicadas
Orvalhadas
e belas,Mais felizes sois
Em todas as primaveras!
Ah,
girassóis!
Quantos
sóis perseguem de diaEnchem meu jardim de beleza
E a vida de nostalgia!
O meu cravo solitário
Tão bonito e tão só
Precioso relicário
Tanta pena! Tanta dó!
Roseiras,
begônias e alecrins
Margaridas,
crisântemos e jasminsComo é bom ter flores pra enfeitar
Um jardim tão lindo de cuidar!
Música tensa – muda a entonação
Mas, ouçam-me com toda atenção!
Antes que a lua cheia caia, no negro céu escuridão
A mais bela dentre vós eu vou buscar
Vou colhê-la para um vaso enfeitar
Pois uma flor alegra todo coração
E é uma oferta especial, de gratidão!
Cena: A menina sai cantarolando a música do começo. As flores discutem entre si:
Rosas: Vocês ouviram? O que está por vir?
Begônias: Ai, ai, minhas pétalas vão cair!
Alecrins: Ela vai escolher uma flor, a mais bela do jardim.
Girassóis: Com certeza isso vai
Acabar sobrando pra mim!
Margaridas: O que vai acontecer?
Ela disse que vai nos colher?
Cravo: Ora, ora quanto alvoroço!
Ser colhido não é pra um
qualquerEu aqui sou o único moço
Ela nem vai precisar do bem-me-quer
Seja lá o que for isso de colher
Estou certo de que sou especial
Vocês vão ver o que vai acontecer
O cravo sendo aclamado na geral
Girassóis: Você não tem razão
Só pode estar muito doente
É claro que o girassol
É muito mais imponente
Crisântemos: Ai, ai, quanto desgaste
Olhem bem, vejam vocês,
Não perceberam as cores fortes?
Dos crisântemos chegou a vez.
Cravo: Não agüento mais tanta bobagem
Ela gosta bem mais de mim
Que sou o único cravo nessa paisagem
Não percam seu tempo discutindo assim
Rosa: Não
sei não, meus amigos
Esse negócio de colherEstá me cheirando a perigo
Ai, quem me dera poder correr!
Cravo: Pronto, chegou a dona desconfiança
Não agüenta a idéia de que vai perder
Quanta ignorância! Rosa, desiste!
Essa festa não é para você!
Rosa: Mas eu nem quero concorrer
Tenho é medo de ser colhida
Não sei se isso vai doer
Cravo: Doer? Claro que não!
Não dói virar celebridade
Minha clorofila purpurinada
Nos holofotes será realidade!
Rosa: Cravo, não penso assim
Tem algo estranho no ar
Penso que algo ruim
Vai acontecer, pode apostar!
Cravo (debochado): A fotossíntese você já fez?
Porque tá parecendo biruta
Eu sou melhor que vocês
E, por favor, Rosa, não discuta!
Você ainda é um botão
Portanto, fique em seu lugar
Você não tem chance não
Então pare de me agourar!
E grita: Sai pra lá!!!!!!!!
Rosa: Cravo, mas e nossa amizade?
Você não fica triste?
Cravo: Eu vou virar celebridade
Nossa amizade não mais
existe!Todas as flores: Oh! A amizade acabou!
E agora, o que restou?
Música: O cravo brigou
com a rosa
Todas as flores: Calma, Rosa!
Não fique assim tão triste
O tempo cuidará do cravo
Confie em nós, acredite!
Begônias: Nos dias que se seguiram
A rosa só pôde chorar
E o cravo mesmo doente
Não se deixou cuidar
Alecrim: Ficava aborrecido
Em um canto, muito irritado
Pensando no acontecido
E não se dando por achado!
Girassóis: A rosa, pobrezinha
Lamentava, fazia dóTinha pena de ver como o cravo
Não tinha amigos, estava só!
Crisântemos: Mas não adiantou
Tanto pranto e infelicidade
O cravo se recuperou
E logo voltou a realidade
Margaridas: A rosa que já murchava
Ficou feliz em ver que o cravo
Já não agonizava
Ganhou viço, desabrochou,
Majestosa, bela e branca!
Ainda gostava do cravo
Nisso era bem franca.
Begônias: O cravo continuava petulante
Tinha certeza de que ganharia
Uma guerra que ele criara
No mundo da fantasia
Confiava em seu semblante
E na pinta de galanteria
Música tensa / meia luz
Alecrins: Eis que aconteceu
Quando o jardim dormia
A lua cheia boiava
No negro céu que surgia
Girassóis: Contam as margaridas
Que a menina chegou sorrateira
Tesoura em punho levou a rosa
Com um único golpe, certeira!
Música de suspense
Crisântemos: E lá está seu lugar
Vazio e desolado
Assim como se sente o cravo
Depois do golpe amargo
Margaridas: O jardim se entristeceu
Sem a rosa pálida e singela
O cravo quase morreu
De tanta saudade dela
Cravo: Como dói meu coração!
Que tragédia aconteceu
Como fui tolo e insensato!
Devia mesmo ter sido eu.
A rosa não merecia
Um destino assim tão mau
E eu que aqui pensava
Que ser colhido era legal!
Como posso ter brigado
Com uma amiga só por vaidade?
Amizade vale tanto
Por que perder por bobagem?
Agora eu aqui só lamento
A falta que ela me faz
Seguirei com meu tormento
Até quando? Não sei mais!
Techo de Música: Carolinha – Chico Buarque / somente o trecho que diz: “... uma rosa morreu... nosso barco partiu... etc”
Begônias: O cravo finalmente
Aprendeu a grande lição
Amizade vale muito
Brigar não é bom não!
Alecrins: E quando essa história
Estava quase chegando ao fim
Ela voltou ao começo
Uma surpresa pro alecrim
Margaridas: O jardim voltará a sorrir
Disso eu tenho certeza
Começando tudo outra vez
Para acabar com a tristeza
Girassóis: Três dias depois que a rosa partiu
A menina voltou ao jardim
Com um vaso bem pequeno
E o plantou bem perto de mim
Crisântemos: E disse com os cabelos ao vento
Uma coisa muito importante
Que nesse curto espaço de tempo
Já era pra nós emocionante!
Menina: Nesse vaso trago nova
A sementinha do amor
Plantei uma mudinha
Da rosa que desabrochou
A mamãe ficou feliz
Em ganhá-la de presente
Mas sabe que uma flor
No jardim é mais contente
Cena: As flores gritam e comemoram cantando a música final:
Refrão: Menino, o teu jardim tem flor? Ôôô
Cuide com amor (bis)
Menino cuide bem do teu jardim
E uma flor vai nascer tão linda assim
Não precisa ser a mais especial
A beleza quando surge é natural
FIM
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