quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Meninices...

Eu: Ai, filho, estou com tanta dor de cabeça, coloca sua mãozinha na minha testa e pede pro Papai do céu me curar...

Samuel: Ah! Mamãe, é só pôr os óculos.

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Mamãe, e se eu quiser pegar na lua, como que faz?

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Mamãe, o que é vida sustentável?

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Ontem eu vou ser velhinho e vou morar lá na lua, com mamãe e papai.

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Samuel pega o suco de caixinha, tira o canudinho e pergunta:

- Papai, qual que a gente balança, o suco ou o canudinho?

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Quando eu crescer quero ser dentista.

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Falando em barriga eu estou ficando com fome.

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Papai diz:

- Sam, vem brincar comigo, eu quero brincar com você!

Samuel responde:

- Mas eu não sou brinquedo!

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Mamãe, o barco tem rodas?

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Olhando um desenho no fundo do ônibus perguntou:

- Mamãe, o menino tá sentado na bola?
- Não filho, é uma cadeira de rodas. - respondi.
- Por que ele sentou nela, mamãe?
- Porque a perninha dele não funciona, ele não consegue andar, então ele senta na cadeira de rodas pra poder andar.

Samuel reflete um instante e dispara:

- Só a bunda dele que anda, né mamãe?

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Gritando pela janela olhando as estrelas:

- Jesus, ow Jesus, vem aqui "ni" mim...

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Retrucando:

- Se você falar mais uma vez eu não obedeço.

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A coisa mais linda...

Cyntia Pinheiro


Dizem que os anjos têm asas, tocam arpa e possuem cabelos loirinhos e cacheados, mas sempre que me deparo com um, ele é bem diferente disso.

Hoje foi o dia de levar o meu anjinho particular para retirar seus cachinhos e ele se comportou muitíssimo bem, resultado: um corte de cabelo perfeito! Ficou ainda mais lindo!

Mas, lindo mesmo foi o que nos aconteceu ao sairmos da barbearia (meninos cortam cabelo em barbearias), meu filho me pediu:

- Mamãe, não quero ir pra casa, quero passear mais.

Não pude resistir ao pedido, principalmente porque havia uma loja em liquidação logo ali na frente, chamei o baixinho para entrar lá comigo e ficamos um tempinho apreciando os calçados a preço de banana.

O tempo "perdido" ali foi exato, preciso, sob medida para o que viria em seguida. Ao sairmos da loja descíamos distraídos pela rua quando nos deparamos com uma pequena rampa, uma deformidade no passeio que descemos sem dificuldade, mas lá embaixo havia um velhinho octogenário que tentava subir e não conseguia.

Confesso que não prestei atenção naquele senhor de imediato, mas somente quando ele abriu um largo sorriso e me pediu com um tom quase solene:

- Minha filha, quero te fazer um pedido, mas por favor não me leve a mal... Será que você pode me ajudar a subir aqui?

Nem vi quando troquei a mão do meu pequenino por aquela mãozinha frágil, delicada e fraquinha daquele homem. Tenho certeza absoluta de que não fiz muita diferença, porque o velhinho me deu sua mão direita e com a esqueda dava impulso ao corpo puxando a parede da loja que havia ali com toda a sua força.

Ao entregá-lo sem o menor esforço ao passeio retilínio que ele seguiria dali por diante, o velhinho beijou-me a mão e nos abençoou grandemente, agradecendo de forma vibrante o bem que eu lhe havia feito.

Aquele momento foi sublime, inexplicável pra mim. Meu coração pareceu revestido por uma força diferente, suave, que o pressionava gostosamente e me fazia saborear uma leveza nunca antes experimentada.

Olhei aquele anjinho enrugado bem no fundo dos olhos e em silêncio lhe agradeci pela oportunidade de sentir seu toque, a força do seu sorriso e a inacreditável energia que pulou dele pra mim num ritual único e especial.

Trocamos algumas pouquíssimas palavras de cortesia, gratidão e carinho, e, embora eu desejasse prolongar aquele momento, seguimos cada qual o nosso destino. Segurei novamente a mãozinha delicada do meu menino-anjo que nada mencionou, apenas respeitou o momento que se deu ali, e atravessamos a rua buscando nosso veículo.

Ao olhar para trás o anjinho mais experiente havia desaparecido, não sei se entrou em alguma porta ou se sumiu magicamente como fazem os anjos nas histórias que ouvimos por aí, só sei que Deus abençoou meu dia e essa foi a coisa mais linda que já me aconteceu.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Direito

Nasci pra isso.
Feliz por isso.
Demorou, mas descobri
o prazer de fazer algo
por mim.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Letras dos amigos

Compatilharei com vocês alguns versos de amigos, como este lindo poema do amigo Júnior Viana. Se deliciem!

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Acácia Patrícia

Autor: Júnior Viana



Sob a égide de tuas brancas pálpebras,
Reluzentes são os teus cristais.
Eis que são dúbias esferas, amálgama
Entre deuses e mortais.

Ludibrioso busto que segreda a hermética
Paisagem colhida do paraíso.
Tens, do suave perfume da acácia patrícia,
O encanto e o visgo.

Insana, toma-me em mistérios trôpegos
E afoga-me em gozo.
Reside por entre altivos arvoredos
Esculpidos em ouro.

Sob os teus lábios escorre a seiva do prazer
E a umidade luxuriosa da relva.
Sentir o calor de tua pétala é meu bem-querer
E a aniquilação das trevas.

Pernoitar em teus sonhos é ludibriar
As nuances dos pesadelos.
Possuir-te, é ter a semente desse jardim
Tão verdejante, calmo e tão belo.

domingo, 1 de agosto de 2010

Escassez

Pingam gotinhas pobres.
São as ideias.

terça-feira, 13 de julho de 2010

África 2010 e a voluntária de Deus no inferno

Cyntia Pinheiro



Fez uma viagem para "além-mar", África do Sul, cujo objetivo era assistir à Copa do Mundo de 2010.

Mas o avião quebrou em um outro aeroporto, a oeste no continente, e foram obrigados a pernoitar em uma cidadezinha nigérrima, misérrima, contrastante com o evento tão grandioso.

Lá chegando, ela encontrou tantos africanóides, nada sulistas, morrendo de fome nas bandas pobres, perto de esgotos podres, costelas a mostra, cara de morte, morte, malfadada sorte.

Pensou em não embarcar. Talvez ali pudesse ser mais útil. Questionou a utilidade de tanta farra futebolística, era só uma bola e algumas coxas grossas correndo na grama verdinha e nova dos estádios luxuosos.

Ali a pobreza era proporcionalmente gritante, escandalosa, opositora a tanta ostentação desportiva, que naquele momento julgou sem nexo, sem razão de ser.

Passou a mão pela testa acreditando que o gesto poderia afastar o pensamento tão desconfortável, mas ele não se moveu dali, estava determinado a lhe fazer desistir de seguir viagem. E ela desistiu.

Na manhã seguinte comunicou à empresa de turismo que não seguiria viagem com os demais, decidiu ficar na Nigéria, para sempre.

Limpou a bunda de meninos negros esqueléticos e aidéticos, trocou curativos de mães cadavéricas, participou de movimentos humanitários, se envolveu com aquele povo de um jeito que passou a pertencê-lo.

A copa do mundo terminou, seu país perdeu, todos voltaram para casa, sem encontrar o sentido daquela viagem desperdiçada com algazarra, vuvuzelas barulhentas, promiscuidade e vazio interior.

A jovem médica que permanceu nas bandas pobres da África começou a viver naquele dia em que o avião quebrou. Encontrou ali o inferno na terra, e viu que no inferno poderia ser útil, como voluntária de Deus.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Amigas

Cyntia Pinheiro


Flávia para minhas tardes
Sol de noite sorrindo
E desmanchando-se em carinho
Thiara peculiar


Vera é imprescindível
Glaucy saudade bem grande
Manu igualmente querida
Fernanda sensata e amiga


Klauren por nossos filhos
Gedey mergulhou em meu ser
Júnia para sorrir
Viviane para eu torcer


Babi justa e franca
Lôra afinidade
Todas contemporâneas
Todas amigas de verdade!