sexta-feira, 15 de maio de 2009

O balé de Tereza

O balé de Tereza sempre foi opção de sossego para nossos pais. Lá os mais capetinhas se esticavam em passos tortos e imprecisos, tirando dança de onde não havia talento, pelo menos não na maioria.
Poucas pessoas sobressaíam, o palco era todo Vanilza, Cléia, Aline, Gislane, Milena... Somente elas, BAILARINAS! Nós outros não, apenas meninos-capeta que precisavam gastar energia.
E a guerreira Tereza, com voz de trovão, domava todos os diabinhos que por ali surgiam, com propriedade e força, carinho e determinação.
Até acertávamos o passo, o desengonçado passo decorado, seguindo a contagem de um a oito. E Tereza com maestria ensinava, criava, gritava conosco, voz inequívoca, inesquecível disciplinadora e mestra.
Hoje o balé de Tereza tem pernas bambas, depois da doença degenerativa que leva-lhe embora os comandos. Hoje seus pés são trôpegos e trêmulas as mãos. Mas nós, somos meninos melhores, que pisamos firme, pés de retidão, porque a voz de trovão soa forte até hoje, disciplinadora, respeitável e saudosa de Tereza. Não sai nunca do coração!

Cyntia Pinheiro

domingo, 10 de maio de 2009

Frases em uma noite de insônia

Dormir nem sempre é preciso, mas é sempre necessário!

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Nem só de sexo vive a poesia, ela também vive da insônia.

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Esse silêncio é a mágica da noite que o meu dia não tem.

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Fui feita para a noite, que pena que o dia também!

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Hoje Deus esteve comigo, palpável! Obrigada.

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Hoje eu invejei seu ronco!

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Se até as ideias me abandonarem, protestarei com Deus a minha falta de sono.




Cyntia Pinheiro, um dia de abril/2009

Lembrança com sabor de romã

- Sobe no pé de romã menina, tira romã que é pra avó fazer gargarejo.
- E a prima porque não sobe?
- Ela sobe e cai.
- E eu, não caio não?

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Requiem

Hoje deceparam-me as mãos
E toda a poesia contida nelas
Hoje necrosaram-se-me os pés
Que outrora eram trôpegos
E que agora já não suportam mais o peso deste corpo fatigado.
Hoje moeram todo o meu coração
Quando roubaram de mim um sonho.
Hoje sepultaram-me ainda vivendo
Com meu peito arfante buscando um último respiro de esperança.
Hoje, e somente hoje, eu morri!

30(1)/03/09

domingo, 29 de março de 2009

Dor de nós dois

Era para ser em mim,
Mas eu não sentiria tanta dor como sinto sendo tua essa dor.
Teu choro, tua anêmica risada, tua pouca ação, são meus maiores tormentos.
Era para ser em mim,
Mas só sendo tua a dor, ela me faz latejar todo o corpo.
Se minha fosse, não doeria tanto.
Sendo tua, é meu todo o pranto.

Estados afetivos

Eu já tive afetos líquidos que não se solidificaram. Gasosos pares!

Minha dor

Eu tenho uma dor só minha
Que de sozinha fez-se solidão!
Eu tenho uma dor inominável
Que não há carinho que a leve de mim!
Eu tenho uma dor tão minha
Que não me deixa, nem deixará, até o fim!